"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

terça-feira, 14 de julho de 2015

10 tendências globais de consumo que estão impactando marcas em 2015

Manter-se inovadora e capaz de estar ao lado dos consumidores nos seus principais momentos são alguns desafios de todas as empresas. A velocidade e a facilidade de acesso à informação forjaram shoppers cada vez mais exigentes e cientes de seus direitos. Com a ampla competitividade promovida pela globalização, que quebrou paredes e construiu pontes, as marcas precisam conhecer cada vez mais as necessidades de seus clientes para conquistarem a simpatia e, principalmente, o bolso deles.

A escassez de tempo, a necessidade de desenvolver novas habilidades para apresentar no círculo social, o uso de ferramentas tecnológicas e a preocupação crescente com o meio ambiente são algumas das vertentes que impulsionam as tendências que ganharão ainda mais força neste ano. As marcas que quiserem inovar devem estar atentas ao levantamento realizado pela Trendwatching.com, que mostra iniciativas de sucesso que chamaram a atenção em diversas partes do mundo.

As tendências trazem várias possibilidades de inovação para a marca, como a criação de novos produtos, serviços, modelos de negócio e campanhas de comunicação. “Analisamos os movimentos globais de consumo que começam a se destacar em diversos lugares e que podem ser aproveitados por outras empresas”, explica Luciana Stein, Pesquisadora de Tendências da Trendwatching.com, em entrevista ao Mundo do Marketing.

1 – Instant Skills

Depois de se apoderar do que as marcas poderiam acrescentar em suas vidas – a imagem propagada pelas próprias companhias –, os consumidores agora esperam que as empresas os ajudem a impulsionar suas aptidões. Muito além de consumir, a questão é adquirir prestígio e status com equipamentos que permitirão ao cidadão se diferenciar ao produzir em casa algo que antes era exclusivo das empresas. “O conceito de luxo tem mudado. As pessoas, agora, não querem apenas possuir mais coisas. Elas esperam que esse consumo ajude a ampliar suas capacidades, polindo as habilidades e dando mais segurança às atividades que elas já praticavam anteriormente”, explica Luciana Stein.

As máquinas de café expresso, já disponíveis em muitos lares brasileiros, por exemplo, mostram bem como os consumidores querem levar para casa coisas que antes eram apenas disponibilizados a profissionais. A popularidade de facas, panelas e ferramentas que facilitam o dia a dia e fazem parte do conceito de cozinha gourmet ganha força no Brasil a cada dia e também reforça esta ideia.

Para as marcas se aproveitarem desta tendência, elas devem pensar como seus produtos podem ajudar os consumidores a profissionalizarem seus hobbies com agilidade. “O que estava só ao alcance de empresas é democratizado para que as pessoas usem dentro de casa”, acrescenta Luciana.

2 – Fast Laning

A rotina corrida da vida moderna mudou o nível de exigência dos consumidores. Com o tempo cada vez mais escasso, principalmente para o lazer e atividades familiares, os shoppers não aceitam mais perder tempo em filas de atendimento ou aguardando os pedidos serem preparados. As empresas que quiserem se posicionar como aliadas de seu público – todos os consumidores e não apenas os clientes VIPs – devem criar ferramentas para que as pessoas não sintam que estão perdendo tempo ao consumir nesses estabelecimentos.

Nos Estados Unidos, a Starbucks criou um aplicativo em que o consumidor pode fazer o pedido antes mesmo de chegar à loja. Nos casos em que esperar é realmente necessário, as marcas devem oferecer alguma atividade para entreter os clientes. O Google, por exemplo, desenvolveu um joguinho com um Dinossauro para que os usuários do navegador Chrome passem o tempo enquanto aguardam a internet voltar. “O consumidor não admite mais ter um tempo morto, sem produzir ou consumir. Caso tenha que esperar, ele deseja que as marcas criem maneiras divertidas de fazê-lo perder este tempo de forma mais agradável”, esclarece Luciana Stein.

3 – Fair Splitting

Oferecer o pagamento via mobile já não é mais sinal de inovação ou avanço para muitas empresas, principalmente em uma análise global. Por isso, parte das marcas passou a oferecer outros benefícios, como a possibilidade de dividirem os custos dos serviços e produtos e até mesmo rachar a conta. Uma ideia que já está sendo usada é a criação de aplicativos permitem não apenas chamar o táxi e pagar a corrida, mas pegar outros passageiros no caminho para dividir a tarifa.

No Brasil, o APP Meia Bandeirada possibilita que consumidores compartilhem viagens identificando passageiros com origens ou destinos próximos. O aplicativo é oferecido, principalmente, para as empresas otimizarem os custos com a locomoção de seus funcionários ou dividirem o pagamento de corrida com roteiro integrado. Além da economia, a iniciativa é mais ecológica já que reduz a emissão de gases poluentes ao usar um carro para vários passageiros, o que contribui também para maior fluidez no trânsito.

4 – Internet of Sharing Things

O compartilhamento e a economia colaborativa também estão presentes nesta tendência apontada pela trendingwatching.com, que identificou diversas iniciativas pelo mundo em que as pessoas estão se aproveitando da internet para trocar coisas. O acesso compartilhado de produtos só é possível por meio da internet das coisas, que confere mais valor aos objetos, já que podem ser controlados pelos consumidores à distância. “O uso compartilhado já é um desejo da sociedade, e a internet das coisas permite a troca, o consumo compartilhado”, acrescenta Luciana Stein.

Recentemente, uma empresa de Hong Kong desenvolveu o Umbrella Here, que consiste no compartilhamento de guarda-chuva em dias chuvosos. A ideia é que um dispositivo acoplado no topo da sombrinha mostre se o usuário está disponível ou não a dar uma carona a um desconhecido em meio a um temporal. A ferramenta utiliza tecnologia bluetooth e um aplicativo. Caso haja uma “vaga” na sombrinha, o equipamento fica iluminado na cor verde e, em caso negativo, vermelho. Outra iniciativa é o BitLock, um cadeado inteligente, que aliado a um aplicativo, permite o compartilhamento de bicicletas a baixo custo.

5 – Branded Government

Neste ano, as marcas com visão de futuro vão intensificar seus esforços para criar mudanças reais e significativas nas sociedades em que estão inseridas – seja nos seus bairros, cidades ou no planeta. Trata-se de ir além de iniciativas padrão de responsabilidade social e ambiental, mas identificar deficiências governamentais e agir sobre elas. “É hora das marcas assumirem o papel dos governos em relação às questões sociais. Mas não pode ser uma ação isolada e sim um posicionamento da empresa a logo prazo”, explica Luciana Stein, da Trendwatching.

Em alguns países, o Easy Taxi, por exemplo, abraçou a causa da paz no trânsito e passou a oferecer aulas de direção defensiva aos motoristas e treiná-los para ter um tráfico mais civilizado. Apesar de ter ligação com a atividade do aplicativo, não é obrigação dele promover ações como essa. Na Nigéria, a empresa foi além, e em parceria com a Dettol, fabricante de produtos de higiene pessoal, orientou os taxistas sobre como prevenir e fazer o diagnóstico de ebola. Os profissionais têm papel fundamental na luta contra a doença já que viraram multiplicadores da informação.

6 – Post-Demographic consumerism

A definição de consumo analisada apenas por segmentos tradicionais como idade, sexo, localização, renda, situação familiar já estão ultrapassadas. Cruzar esses dados é fundamental para encontrar micronichos que não estão sendo aproveitados pelas marcas. Esta tendência deve ser analisada com cuidado pelas empresas, pois ela representa a ampliação do público-alvo. “Se você tem uma imagem estereotipada de quem consome o seu produto, é hora de revê-la e apresentar a oferta a outros segmentos que também podem se interessar”, sugere Luciana Stein.

Com um grande volume de informações facilmente disponível na internet, é natural que os consumidores se sintam cada vez mais motivados a experimentarem novidades. Quem saiu do lugar comum foi a americana Lululemon, especializada na fabricação de roupa para atividades físicas. A marca resolveu testar a demanda por peças no tamanho masculino para o público praticante de yoga, atividade conhecida por atrair mais mulheres. A empresa criou um hotsite para a venda de produtos específicos para eles e percebeu que havia uma carência neste segmento. A iniciativa rendeu frutos e a marca, agora, passou a oferecer coleções exclusivas para os homens.

7 – Currencies of Change

Estimulado a todo instante a criar uma versão melhor de si mesmo, o consumidor espera que as marcas sejam aliadas dele nesta busca, que pode ser para emagrecer, tonificar o corpo, parar de fumar ou outro qualquer. As empresas que intensificarem seus esquemas de premiação dos consumidores como forma de os estimularem a alcançarem suas metas ganharão destaque, além da fidelização. As companhias que quiserem estar ao lado dos clientes neste momento desafiador devem se questionar: quais os objetivos que eles estão tentando alcançar? Como minha marca poderia criar recompensas para estimulá-los?

Na Rússia, o banco Alpha resolveu remunerar os correntistas que praticam atividade física, aliando a saúde do corpo com a saúde financeira. Para ganhar até 6% a mais de lucro, os clientes devem sincronizar as ferramentas que utilizam para monitorar as atividades (como RunKeeper ou Fitbit), com o número da conta corrente. Trocando calorias por dinheiro, o banco se posiciona como uma empresa inovadora, fortifica os elos com os consumidores, conquista novos clientes e fideliza aqueles que têm o desejo de se aprimorar.

8 – Sympathetic Pricing

Se colocar no lugar do consumidor é um dos caminhos para surpreender o cliente e oferecer um afago – ou melhor, desconto – quando ele mais precisa. Apenas 30% dos consumidores globais pensam que as marcas têm um compromisso sincero com os seus clientes, segundo pesquisa da Edelman, realizada em outubro de 2014. Para compensar isso, as marcas estão fazendo esforços objetivos e criativos para mostrar que se importam com seu público.

Durante a Copa do Mundo, a editora Lote 42 ofereceu 10% de desconto a cada gol sofrido pela Seleção Brasileira. A iniciativa era uma forma de amenizar o sofrimento do torcedor. “Esta tendência mostra que as marcas devem estar alinhadas com os seus consumidores, oferecendo descontos de acordo com as necessidades deles. Empresas empáticas são aquelas que se colocam no lugar do cliente. É a mão amiga no momento de dificuldade”, explica Luciana Stein.

9 – Robô Love

Cada vez mais os robôs serão aproveitados pelo varejo para atuarem no atendimento ao público. De acordo com análise da Trendwhatching.com, muitos consumidores terão seus primeiros encontros cara a cara com robôs neste ano. Muito além de cortar custos, a iniciativa visa aumentar a satisfação dos consumidores. Mas não são máquinas comuns, são equipamentos capazes de ler expressões faciais, perceber o tom de voz e compreender as necessidades dos fregueses.

No Japão, a Nestlé está usando robôs para vender máquinas de café em mil lojas no país. Batizados de Pepper, os androides foram introduzidos no fim do ano passado e são capazes de explicar a diferença entre cada máquina de café da marca e ainda indicar a mais apropriada às necessidades dos clientes. Os humanoides tem capacidade para entender várias frases da fala e também compreendem emoções dos clientes

10 – Brand Stands

Mais do que nunca, os consumidores esperam que as marcas estejam aliadas às suas causas. Depois de ir às ruas para protestar, reclamar dos excessivos gastos públicos, da violência e até mesmo de questões políticas, a sociedade está se posicionando e dando mensagens claras do que quer. Para aproveitar esta tendência, as empresas devem sair de cima do muro e se posicionar, mesmo se o tema for delicado ou polêmico, como bullying ou os privilégios de uma classe ou grupo social.

A transparência (e a falta dela) nas ações de Marketing se tornam assuntos de campanhas de empresas que estão surfando nessa tendência. A rede de restaurantes Nando’s, na África do Sul, por exemplo, costuma criticar políticos e ditadores em seus comerciais, posicionando-se ao lado da população.

Fonte:Mundo do Marketing
Data da informação:08/04/2015