"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

sábado, 24 de julho de 2010

Comunicação Corporativa em 2020

Marilene Lopes


Quero ser otimista e imaginar 2020 com corporações, governos e pessoas físicas efetivamente preocupadas em refletir e em fazer profundas transformações comportamentais e em ações, para a construção de um mundo melhor, mais justo e verdadeiramente sustentável.

Partindo deste princípio, minha visão é a de que, até 2020, a Comunicação Corporativa de sucesso deverá ter como foco principal contínua pesquisa de opinião junto aos stakeholders. Pesquisa que, transformada em conhecimento, possa ser utilizada de forma competitiva nos planejamentos estratégicos. A pesquisa é o ponto de partida. E o conhecimento é o ativo mais importante para a nossa própria sobrevivência, quer a sobrevivência individual, quer a das organizações, sejam elas públicas ou privadas.

É o foco no conhecimento a respeito dos anseios e aspirações dos stakeholders para atendê-los de forma inovadora e diferenciada em suas necessidades; conhecimento e adaptação aos novos modelos de relacionamento e de negócios provocados pela constante inovação da tecnologia na web, onde a credibilidade será a chave para a percepção de boa reputação; conhecimento dos empregados diretos e indiretos para não perder talentos da geração Y; conhecimento dos parceiros, de forma a fazer escolhas assertivas, e de acordo com a visão e com os valores fundamentais da empresa, além do conhecimento do mercado global para possibilitar novas e competitivas alianças, nacionais e internacionais.

A partir do conhecimento, o comunicador do ano 2020 será capaz de desenvolver estratégias sustentáveis – de forma ética, ágil e transparente – para enfrentar o mercado em qualquer cenário, com adaptabilidade, quer em situação de crise ou de oportunidade, onde o seu objeto de comunicação poderá até mesmo funcionar como agente transformador.

Pela imposição de um mundo cada vez mais globalizado, o escritório físico nas empresas, cada vez mais, será substituído pelo virtual, ou mesmo pela terceirização das atividades que não fizerem parte do core business da organização. Isto acontece pela constante necessidade de busca pela economia de recursos, de tempo e de espaço, o que pode influenciar quer numa economia próspera, quer em tempos de crise. Certamente, isto envolve mudança nas relações de trabalho, coisa que já vem ocorrendo desde os anos 80 com a implantação da qualidade total como fator de sobrevivência após a crise do petróleo.

Mas os recursos tecnológicos e o fato das empresas e indivíduos utilizarem fortemente dos meios digitais e da alta conectividade para se comunicarem, como é o caso da web 2.0, por exemplo, não deverão substituir as relações ‘olho-no-olho’. Haverá, sim, uma adaptação dos novos modelos impostos pelo desenvolvimento de novas tecnologias, como foi o caso da televisão que não substituiu o rádio, do vídeo que não substituiu o cinema, e assim por diante. As novas tecnologias são apenas ferramentas. Elas nos ajudam a aperfeiçoar ou a fazermos adaptações para melhor exercermos nossas atividades.

Assim como a pesquisa que menciono no início desde artigo, outro fator fundamental, e que a tecnologia pode ajudar, é o desenvolvimento de métricas para avaliar o trabalho da comunicação. É medindo e avaliando o trabalhado de comunicação ou de qualquer outro trabalho, que este poderá ser valorizado e considerado como estratégico para a empresa.

O paradigma das Assessorias de Imprensa, por exemplo, tem que ser repensado urgentemente, pois o modelo atual já não mais atende. Agora não se trata de criar e manter um bom relacionamento com a imprensa, ou tratar jornalista “como Cliente”, como foi a estratégia da Política de Portas Abertas que desenvolvi para a Xerox do Brasil nos anos 90, e que tem sido referência para os próprios jornalistas até hoje. O case, além de vencer o Prêmio Aberje, por três anos consecutivos, foi objeto do meu livro “Quem Tem Medo de Ser Notícia – a Mídia formando ou ‘deformando’ imagens. Agora, qualquer pessoa é produtora de conteúdo bom ou ruim, favorável ou desfavorável à empresa ou a pessoas. Isto tudo espalhado em redes de relacionamento cada vez maiores e diversificadas. Esta é uma mudança extraordinária que está ocorrendo e que é, hoje, e até 2020, será objeto de muitos estudos.

Quanto à pressão por resultados é inerente a qualquer profissão e não será diferente com relação ao profissional de comunicação do ano 2020. Cada vez mais, é o profissional que vai escolher a empresa onde trabalhar e não o contrário, e cabe à empresa estabelecer programas de manutenção dos seus talentos.

E o profissional que hoje chamamos de geração Y, cujos atributos são traduzidos pelo manuseio simultâneo de todas as mídias, por serem nativos digitais, e que têm a pressa típica desta geração, estarão um pouco diferentes. Hoje, sua característica é a de sair da universidade e, de preferência, já ocupar a cadeira da presidência. Outra característica é a de mudar várias vezes de empresa no mesmo ano. A minha visão é a de que este profissional estará mais amadurecido. Talvez, mais completo caso ele aprenda a trabalhar de forma integrada, consiga se automotivar, seja capaz de fazer negociações e, principalmente, que tenha a capacidade de adaptar-se e antecipar-se às mudanças de cenário, com foco nos resultados.

Mas, é pesquisando este profissional e adquirindo conhecimento profundo sobre ele, que as empresas poderão obter o seu melhor em 2020. E são apenas 10 anos daqui lá. Muito pouco!

E, claro, se viva estiver, e quero estar, vou continuar ampliando minhas redes de relacionamento, o meu aprendizado contínuo para entender o mundo nas suas mais diversas manifestações, e, através das minhas pesquisas, adquirir cada vez mais conhecimento para poder continuar contribuindo para o setor da comunicação.


Marilene Lopes trabalha há 34 anos no mercado de comunicação. Responsável pela idealização e implantação da estratégia de comunicação e de relações públicas da Xerox do Brasil, em 1991, mudou a postura da empresa low profile para a de ‘portas abertas’. É artista plástica e professora de comunicação corporativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 2005, publicou um livro contando sua história, intitulado ‘Antes que seja tarde – uma executiva workaholic escreve o diário de seu AVC’. Também é autora de 'Quem tem medo da notícia? – Da informação à notícia’.


Material do Portal Nós da Comunicação, disponível em: http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=302&tipo=G

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Concurso MPU com vaga para comunicação social

Saiu recentemente o edital para concurso do MPU com vagas para comunicação social, mas uma chance de atuar na área e ser bem remunerado.

Edital aqui

abraços

Dani Cabraíba

domingo, 11 de julho de 2010

Um Parêntese....

Numa país onde a imprensa tem explorado muito mais o não jornalismo...preciso bater palmas para o Escobar que mostrou profissionalismo e não se deixou levar pela "tal audiência" que busca assuntos como a discussão dele com o Dunga. Mais uma vez, PALMAS PARA O ESCOBAR....


“Passou”, diz Alex Escobar sobre problema com Dunga


O jornalista Alex Escobar, da Rede Globo, disse não guardar mágoas do ex-treinador da seleção brasileira Dunga. “Se eu encontrasse o Dunga e o Jorginho hoje não teria problema em cumprimentá-los (...). Não ficou mágoa. Fiquei chateado no início, mas já passou”, afirmou, em entrevista ao blog Ilan House.

Escobar foi xingado pelo técnico durante coletiva após a vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim durante a Copa do Mundo. Na entrevista, o jornalista contou a sua versão do fato.

“Eu estava na sala de coletiva. O Tadeu Schmidt me ligou, perguntando se os jogadores já tinham passado pela zona mista. E eu disse a ele: ‘Tadeu, não sei, não passei pela zona mista, to aqui na coletiva do Dunga’. Quando eu estava olhando para o telefone para bloquear o teclado, eu ouvi ele (Dunga) falando, ‘algum problema aí?’. Porque ele tinha falado do Luís Fabiano, que parte da imprensa queria que ele fosse barrado e eu fiz um sinal negativo com a cabeça, como se eu dissesse, eu não. Acho que ele não entendeu o meu gesto e aconteceu tudo aquilo”, contou.

Sobre o seu silêncio sobre o caso, Escobar explicou que não queria atrapalhar a cobertura da Copa do Mundo. “Nossa missão aqui na África do Sul é cobrir a Copa do Mundo. Fazer jornalismo, não fazer guerra com ninguém”, disse.

Ao ser questionado se considerava que Dunga tinha cometido um erro, o jornalista explicou que o treinador deve ter tido os seus motivos para tratá-lo daquela maneira, mas tudo foi apenas um “mal entendido”.

“Não cabe a mim dizer se ele errou ou não. Não sei, ele deve ter tido as razões dele. Certamente foi um mal entendido. Isso eu tenho certeza (...). Desejo sorte a ele na carreira, e ao Jorginho também. Eles são jovens, certamente vão trabalhar muito no futebol e conquistar muita coisa”, disse.

* Material do portal Comunique-se, disponível em:http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D56331%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D107416785025%26fnt%3Dfntnl

domingo, 4 de julho de 2010

Uma das maiores redes sociais do mundo (e não é o Facebook)

Outro dia estava lendo sobre uma rede social que já conta com mais de 300 milhões de membros e está presente em mais de 100 mercados. Em número de usuários, ela só perde para o Facebook (mas dá muito mais lucro do que ele). Anualmente essa rede social fatura mais de US$ 10 bi e seu crescimento vai de vento em popa.
O mais incrível é que ela tem mais de 100 anos, é uma marca conhecida mundialmente e ninguém acha que ela é uma rede social.

Quem falou “Avon”, acertou.

A Avon é uma das maiores redes sociais do mundo e desde sempre pratica o que hoje chamamos de comércio social – a junção do conceito de rede social com comércio, no caso pós-moderno, eletrônico.

Para entendermos a Avon como um case de sucesso de rede social aliada a comércio, vamos nos remeter a meados do século XIX, quando a Sears iniciou suas vendas por catálogo. Em 1876, em meio à expansão dos Estados Unidos para o interior, o gigante do varejo – Sears – percebeu que estava perdendo muito mercado em cidades de poucos habitantes, mas numerosas em quantidade.

Uma cidadela de mil habitantes, por exemplo, não justificaria a estrutura de uma Sears, mas certamente geraria vendas se bem trabalhada. A solução foi criar os famosos catálogos da Sears. Levava a informação sobre os produtos, mas não levava, de fato, os produtos.

A mesma estratégia de venda por catálogos foi utilizada pela Avon em 1896, menos de uma década após a sua fundação. A venda direta, porta a porta, aliada ao catálogo de produtos, transformou a Avon na líder mundial de vendas diretas ao longo dessas décadas.

A venda por catálogo é baseada na venda de informações sobre produto. O produto é entregue depois - no caso da Avon, cerca de 20 dias depois. Qual a diferença disso para uma venda em um site de comércio eletrônico? Somente a tecnologia. O conceito continua o mesmo – a venda de informação ao invés da venda do produto em si.

Alia-se a isso a questão da rede social. O que as revendedoras da Avon fazem ao visitar suas clientes e o conceito de rede social não são muito diferentes. As revendedoras têm uma rede de contatos, se tornam amigas das clientes (ou transformam as clientes em amigas) e, entre uma opinião sobre maridos e a escola dos filhos, vende-se um produto. A base é a amizade e a confiança na marca Avon e na revendedora, uma pessoa que entra na sua casa periodicamente. O comércio é apenas consequência.

David McConnel, fundador da Avon criou, muito bem diga-se de passagem, o conceito de comércio social sem nunca ter imaginado a internet e o Orkut, mas seu resultado está bem alicerçado sobre os conceitos que hoje tanto ouvimos falar com relação a Facebooks e Twitters.

Em tempos de internet, a Avon não poderia deixar de estar nesse ambiente, e está. É uma marca cada vez mais interativa e criou uma outra marca – Mark – para ter maior aderência junto ao público jovem. A marca possui aplicativos para iPhone e venda pelo Facebook - o verdadeiro comércio social.

O fato da Avon, maior rede de comércio social do mundo, off-line, estar direcionando esforços para atividades online mostra uma tendência clara de migração do comércio eletrônico para comércio social. No outro extremo, que tal analisarmos o maior varejista do mundo para detectarmos essa tendência: a Amazon.

Recentemente o escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos concedeu à Amazon uma patente de uma rede social. Será um movimento do maior varejista online em direção à Avon – criar a rede social baseada em comércio eletrônico?

Só o futuro dirá. Uma coisa é certa: em pouco tempo, plataformas de e-commerce que imitam o varejo off-line, que se limitam a mostrar os produtos e ter uma rotina de carrinho de compras, farão parte da pré-história do comércio eletrônico.
Não há ninguém melhor do que os nossos amigos ou clientes de uma determinada marca para falar sobre a qualidade dos produtos ou serviços. Essas pessoas estarão em nossa rede social.

Aliar comércio eletrônico à rede social, principalmente com a utilização de aplicativos em smartphones, será o futuro do que hoje chamamos de maneira prosaica de e-commerce, e que provavelmente se chamará simplesmente “comércio”.



Conrado Adolpho


Conrado Adolpho é publicitário digital, palestrante, consultor e especialista em estratégias de marketing na internet. Diretor da Publiweb Marketing Digital, é formado em marketing e pós-graduado em economia. É autor do livro “Google Marketing”, o livro nacional de marketing mais vendido do país em 2008.

Texto do site da Aberje, disponível em: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=283&ID_COLUNISTA=32

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os 10 passos para o sucesso da comunicação

Já começo esta conversa pedindo desculpas. O título original deste artigo era "A angústia do sucesso instantâneo", mas resolvi mostrar no próprio título como somos influenciados pela facilidade, pela agilidade, pelos moldes.

Em uma única semana devo ter visto mais de 50 links diferentes para os "10 caminhos da felicidade", "8 formas de ganhar mais dinheiro", "5 maneiras de subir na vida sem usar escadas" ou qualquer coisa deste tipo, e imagino que com vocês não deva ter sido diferente.

Hoje imprime-se tamanha aceleração nos negócios e nas comunicações que já não temos tempo de refletir suficientemente sobre nossas ações, quem dirá refletir e formar uma opinião consistente sobre qualquer assunto.

Flutuamos num mundo de certezas fugazes que se dissipam na névoa dos tuites e nas ondas do imediatismo. A solidez de outros tempos se esvai nas palavras do bom Bauman1. E como lidamos com esta “nova” realidade? Tenho apenas um binômio, bem antigo, para isso: estudo e prática.

Tente listar os momentos em nossas vidas nos quais podemos ignorar os estudos ou, de outra forma, seja cabível discriminar o conhecimento aplicado. Tanto a academia enfrenta críticas cotidianas por seu suposto hermetismo quanto o mercado se dá ao luxo de gerar um processo antropofágico a cada novo ano fiscal.

Nesta evolução galopante (alguns diriam involução), quem perde a órbita somos nós, os humanos que constroem e habitam estas mesmas estruturas. Tentamos achar nas apresentações, nos slides e manuais de bolso uma forma rápida de solucionar problemas e conflitos instantâneos. E neste contexto, inclusive a leitura se obriga a ser instantânea, a fim de atender aos tempos que de regalo nos sobram ao fim do dia.

Lemos com uma desatenção aplicada. Um esforço enganoso e até hercúleo. E ao final, completada a leitura, passamos para o próximo link, sem fazer juízo algum de valor. Moral da história: não tem história, quem dirá moral.

O consumo desenfreado de comunicações, marcas, produtos, cria em nossa mente um espaço em suspensão. Lemos sem saber do que se trata, falamos sem lembrar do que lemos e apoiamos/rejeitamos sem querer aprender mais sobre as coisas.

Mas vale uma boa ressalva aqui. Há momentos que os "10 isso" ou "8 aquilo" são cruciais para orientar nossas ações em meio a tanta velocidade e tantas mudanças. Bons exemplos são as nossas metas, quantificáveis e determináveis. Atribuir, como bem propõe o Prof. Dr. Mitsuru Yanaze2, pesos e prioridades para nossas aplicações faz com que tenhamos modos cabíveis de optarmos entre diferentes caminhos ao longo de nossas jornadas e a cada novo desafio.

Dos Objetivos do Milênio até as metas de uma mobilização interna pela redução de burocracias, tudo se mostra quantificável, o problema está em tentar transformar um aprendizado longo e contínuo, eminentemente qualitativo, em pequenos pontos mágicos que, no repente, farão de nós os maiores sucessos de que se tem notícia.

Se não entreguei a vocês os 10 passos para o sucesso que prometi no título, os dois primeiros já estão ditos, estudo e prática, mas os outros 8 ainda estão por vir. Tanto estes passos quanto os outros mais que são necessários para edificar uma história verdadeiramente de sucesso, que só pode ser trilhada de modo único, serão dados por cada um de nós, sem precedentes.

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1 - Zygmunt Bauman, autor de livros como "Modernidade Líquida", "Amor Líquido" e "Identidade".
2 - Prof. Dr. Mitsuru Yanaze, autor de "Gestão de Marketing e Comunicação" pela Editora Saraiva.


Mauricio Felício
mauricio.rp.usp@gmail.com


@mauriciofelicio atua no setor farmacêutico, com formação em Relações Públicas pela USP. Atualmente é professor conferencista da ECA-USP. Além de cursar MBA em Gestão de Comunicação e Marketing (USP/Florida University), é pós-graduando em Mídias Digitais (USP).

Material do site Aberje, disponível em:http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=292&ID_COLUNISTA=25