"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

domingo, 28 de junho de 2009

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Conheça a PEC que torna obrigatório o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão



A Proposta de Emenda Constitucional que o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) irá apresentar na próxima quarta-feira (01/07) altera o artigo 220 da Constituição, que trata da livre manifestação do pensamento e da informação jornalística. Caso o texto seja aprovado, será acrescentado o artigo 220-A, que trata da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.


“O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”, diz o texto.


A proposta, que já está sendo chamada de PEC dos jornalistas, abre duas exceções para a atividade jornalística sem a graduação na área. O colaborador, que, “sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural”; e o jornalista provisionado, que já possui registro profissional regular.


Na justificação, Valadares afirma que a “principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação. Isso, sim, exige formação, exige estudo, exige profissionalismo”.


Em entrevista ao Comunique-se na última quarta-feira (26/06), Valadares informou que havia coletado 30 assinaturas para a apresentação da proposta, três a mais que o mínimo necessário. "Eu estou coletando as assinaturas pessoalmente", afirmou.


Ontem, a assessoria do senador informou que o número de assinaturas chega a 50, "mas ele quer obter um respaldo ainda maior e continuará coletando até o dia da apresentação".


PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº , DE 2009


Acrescenta o art. 220-A à Constituição Federal, paradispor sobre a exigência do diploma de cursosuperior de comunicação social, habilitaçãojornalismo, para o exercício da profissão de jornalista.


As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:


Art. 1º A Constituição Federal, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 220-A:
Art. 220-A O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei.


Parágrafo único. A exigência do diploma a que se refere o caput é facultativa:


I – ao colaborador, assim entendido aquele que, sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural, relacionado com a sua especialização, para ser divulgado com o nome e qualificação do autor;


II – aos jornalistas provisionados que já tenham obtido registro profissional regular perante o Ministério do Trabalho e Emprego.


Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.


Uma tentativa de sanar toda essa loucura...


Dani Cabraíba


*material disponível em:


quarta-feira, 24 de junho de 2009

Comunicação Integrada

É o desenvolvimento da comunicação estratégica organizacional junto ao mercado, promovendo, posicionando e divulgando produtos, serviços, marcas, benefícios e soluções.

Tem como base um sistema gerencial integrado, utilizando como ferramenta o composto de comunicação . propaganda, publicidade, assessoria de imprensa, promoção de vendas, patrocínios, venda pessoal, internet, marketing direto, eventos culturais e relações públicas. Busca atingir, com a utilização holística de todos os elementos deste composto, uma comunicação
ficaz por parte do emissor junto ao seu consumidor-alvo.

Desafios

Entre as milhares de marcas nas prateleiras das lojas, qual é a probabilidade de um consumidor ver um determinado produto e comprá-lo? Observando uma lista telefônica, qual prestador de serviço escolher?

O papel da Comunicação Integrada de Marketing é desenvolvê-la buscando ampliar a integração com o mercado

Os consumidores estão sem tempo, têm o dinheiro contado e um excesso de informações diárias, impossibilitando a compreensão e absorção/retenção integral das mensagens, veiculadas maciçamente pelos veículos de comunicação. O resultado disso, na maioria das vezes, é a compra feita com base unicamente em preço.

Uma marca pode possuir um alto valor agregado, ser de alta qualidade e relativamente valorizada, e, mesmo assim, não conseguir atingir seus objetivos de vendas e lucro se os clientes em potencial não a conhecerem ou não tiverem uma percepção favorável a seu respeito.

A comunicação eficaz é fundamental para a criação da consciência da marca, visando estabelecer uma imagem positiva, baseada em sua identidade corporativa, representada por seus produtos, serviços, soluções e benefícios oferecidos.

A comunicação integrada de marketing é imprescindível, também, para o sucesso dos planos de marketing no segmento business-to-business, principalmente os relativos aos objetivos de participação de mercado e aumento de valor, buscando a maximização dos lucros.

Muitos produtos comercializados nesse segmento estão se comoditizando. Em geral, a qualidade não difere muito de um fornecedor para o outro e os preços costumam ser muito semelhantes. A possibilidade de diferenciação entre os concorrentes com freqüência resume-se à capacidade
de compreender desejos e necessidades, comunicar e trocar informações e se adaptar com eficácia às mudanças, sugerindo inovações e gerando conveniência. Tudo isto pode ser feito por meio do atendimento diferenciado na venda pessoal.

*texto de Marcelo Piragibe Santiago, disponível no link http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/mkt/3.pdf


domingo, 21 de junho de 2009

Fim do diploma e a liberdade de expressão - Não pode ficar assim!!!

O fim da exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista interessa muito aos donos da mídia. Vale lembrar que foram os proprietários dos veículos que recorreram ao judiciário, para derrubar o diploma e nossa regulamentação profissional. Afinal, com a extinção da exigência, a liberdade de expressão será propriedade privada dos detentores dos veículos de comunicação. Eles terão o pleno poder de decidir quem poderá ou não exercer a profissão de jornalista no Brasil. A liberdade de expressão nada ganhará. Não se iludam.
Com a exigência do diploma, os donos da mídia precisavam recrutar entre os
profissionais habilitados os seus trabalhadores. Sem ter que obedecer à exigência, recrutarão como bem entenderem seus escribas servis. Temo pela remuneração e direitos dos escolhidos.

O fim da exigência do diploma transformará em verdadeiros faraós os donos da mídia, que terão poder absoluto e ampliado sobre os seus veículos de comunicação. Como se eles já fossem pequenos.

A despeito de proteger a liberdade de expressão, o Supremo Tribunal Federal (STF) cometeu um grosseiro engano que será extremamente danoso para a sociedade brasileira. Ampliar os direitos dos donos dos veículos, em detrimento dos jornalistas habilitados, não parece ser o caminho mais seguro para garantir e ou ampliar o direito de expressão ou de imprensa no Brasil.

Foi criado um falso dilema. A exigência do diploma nunca foi uma ameaça à liberdade de expressão. Já a sua extinção deve concentrar mais poderes nas mãos de poucos, que além do forte e inabalável compromisso sempre justificado com lucro acima de tudo, tem entre seu seleto grupo, figuras detentoras de altos cargos públicos, que possuem concessões públicas seja através de parentes ou de terceiros no comando de emissoras de rádio e televisão.

Respeito os que defendem a extinção do diploma, por comparar a profissão de jornalista com a dos poetas e escritores, porque estão sendo ingênuos, mas desconfio dos que argumentam que o fim de tal exigência irá ampliar a liberdade de expressão, simplesmente porque o argumento é falacioso.
* Texto do site http://www.ojornalista.com.br/



Agora minha opinião...precisava blogar, ou melhor gritar, depois que vi na TV aquelas criaturas do STJ votando sobre uma coisa tão séria como um diploma de mais de 40 anos, como se tivesse falando de um curso de datilografia. Como uma pessoa em sã consciência pode dizer que para ser jornalista não se precisa de conhecimento nenhum...que era como cozinhar qualquer um pode fazer. Eu até queria vê eles cozinhando ou escrevendo algo sobre qual não conhece.

É triste mas nosso diploma ficou na mão dessas pessoas que só dão valor aquilo que é deles. Ah!!! Eles são advogados (não desmerecendo os bons e sérios advogados que trabalham no Brasil), um curso muito difícil de fazer...pouca oferta, pouca maracutaia para conclui o curso...muitos exames da ordem pela frente...um empurrãzinho da pessoa certa e você acaba onde???? Sentado numa cadeira confortável, ganhando um salário confortável e bota confortável nisso, para dizer que nós que passamos 4 anos numa faculdade, aprendendo uma profissão, somos burros, pois nem precisava pois qualquer um pode ser jornalista. Ninguém merece!!!

Esse foi meu desabafo. Acho que ninguém pode vir aqui ou em qualquer lugar e dizer que tudo que estudamos foi desnecessário. E agora me faço uma pergunta: Ainda vai ter algum concurso para jornalista no Brasil???

Dani Cabraíba

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Oito contra oitenta mil/ Oito contra 180 milhões

Perplexos e indignados os jornalistas brasileiros enfrentam neste momento uma das piores situações da história da profissão no Brasil. Contrariando todas as expectativas da categoria e a opinião de grande parte da sociedade, o Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, acatou, nesta quarta-feira (17/6), o voto do ministro Gilmar Mendes considerando inconstitucional o inciso V do art. 4º do Decreto-Lei 972 de 1969 que fixava a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista. Outros sete ministros acompanharam o voto do relator. Perde a categoria dos jornalistas e perdem também os 180 milhões de brasileiros, que não podem prescindir da informação de qualidade para o exercício de sua cidadania.

A decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país. A sanha desregulamentadora que tem pontuado as manifestações dos ministros da mais alta corte do país consolida o cenário dos sonhos das empresas de mídia e ameaça as bases da própria democracia brasileira. Ao contrário do que querem fazer crer, a desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, inequivocamente, uma ameaça a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas.

O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. Em sua lamentável manifestação, Gilmar Mendes defende transferir exclusivamente aos patrões a condição de definir critérios de acesso à profissão. Desrespeitosamente, joga por terra a tradição ocidental que consolidou a formação de profissionais que prestam relevantes serviços sociais por meio de um curso superior.

O presidente-relator e os demais magistrados, de modo geral, demonstraram não ter conhecimento suficiente para tomar decisão de tamanha repercussão social. Sem saber o que é o jornalismo, mais uma vez – como fizeram no julgamento da Lei de Imprensa – confundiram liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), como entidade de representação máxima dos jornalistas brasileiros, esclarece que a decisão do STF eliminou a exigência do diploma para o acesso à profissão, mas que permanecem inalterados os demais dispositivos da regulamentação da profissão. Dessa forma, o registro profissional continua sendo condição de acesso à profissão e o Ministério do Trabalho e Emprego deve seguir registrando os jornalistas, diplomados ou não.

Igualmente, a FENAJ esclarece que a profissão de jornalista está consolidada não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. No caso brasileiro, a categoria mantém suas conquistas históricas, como os pisos salariais, a jornada diferenciada de cinco horas e a criação dos cursos superiores de jornalismo. Em que pese o duro golpe na educação superior, os cursos de jornalismo vão seguir capacitando os futuros profissionais e, certamente, continuarão a ser a porta de entrada na profissão para a grande maioria dos jovens brasileiros que sonham em se tornar jornalistas.

A FENAJ assume o compromisso público de seguir lutando em defesa da regulamentação da profissão e da qualificação do jornalismo. Assegura a todos os jornalistas em atuação no Brasil que tomará todas as medidas possíveis para rechaçar os ataques e iniciativas de desqualificar a profissão, impor a precarização das relações de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente.

Neste momento crítico, a FENAJ conclama toda a categoria a mobilizar-se em torno dos Sindicatos. Somente a nossa organização coletiva, dentro das entidades sindicais, pode fazer frente a ofensiva do patronato e seus aliados contra o jornalismo e os jornalistas. Também conclama os demais segmentos profissionais e toda a sociedade, em especial os estudantes de jornalismo, que intensifiquem o apoio e a participação na luta pela valorização da profissão de jornalista.

Somos 80 mil jornalistas brasileiros. Milhares de profissionais que, somente através da formação, da regulamentação, da valorização do seu trabalho, conseguirão garantir dignidade para sua profissão e qualidade, interesse público, responsabilidade e ética para o jornalismo.

Para o bem do jornalismo e da democracia, vamos reagir a mais este golpe!

Brasília, 18 de junho de 2009.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas


Nós precisamos fazer alguma coisa...8 pessoas sem nenhum conhecimento (pelas as palavras que disseram quando da votação) não podem decidir que tudo que estudamos não vale nada.

JUNTOS SOMOS SEMPRE MAIS!!!

Dani Cabraíba

segunda-feira, 8 de junho de 2009

OS COMUNICADORES E A CULTURA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

Ajudando a Bianinha que vai ter como tema de seu tcc da pós um estudo de caso de comunicação em um orgão público, sai pesquisando sobre o assunto. Confesso que nunca tinha pesquisado sobre o tema e achei bastante interessante.

Segue uma parte de um material que achei, mas nem me lembro o link para colocar...vou procurar e posto depois ...I Promisse!!!

Bjuuu

Dani Cabraíba

OS COMUNICADORES E A CULTURA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS


Os reflexos internos das mudanças externas às instituições têm sugerido novas formas de administrar. Segundo Gaino (1989, p. 18) o modelo "mecanicista foi totalmente orientado para a eficiência, que é uma medida individual. Temos que procurar agora a eficácia, que é adulta e coletiva, e que exige o compartilhar com responsabilidade, integrando informações".

Os caminhos perseguidos pelas instituições são muitos e, nesse processo de buscas de alternativas e soluções para os muitos problemas vivenciados, surgem novas teorias. As modernas teorias e práticas administrativas vêm munindo organizações com métodos de planejamento e gerenciamento sistemáticos, fundamentados em diagnósticos que permitem formular soluções planejadas estrategicamente.

A administração estratégica se tem mostrado eficaz por proporcionar à instituição o vislumbre de um norte que deve ser perseguido de forma global. A visão estratégica ainda permite exercer influência nas atividades internas e externas à organização. Segundo Cabrera e Gaino (1989, p. 15), "o sucesso desse processo depende da capacidade da organização de engajar todos os seus colaboradores no mesmo esforço, na mesma direção, com intensidade e motivação suficientes para estabelecer o processo sinérgico que garantirá o resultado almejado no tempo e no espaço previstos".

Diante dessas mudanças, os profissionais de comunicação das administrações públicas – Relações Públicas e Assessores de Imprensa – mesmo os que buscam fundamentar suas ações comunicativas visando alcançar resultados que os usuários e a sociedade vêm demandando – são desafiados a demonstrar as amplas possibilidades de a comunicação oferecer ajuda na interpretação da realidade e na revisão crítica dos valores da cultura organizacional. Porém uma
das maiores dificuldades dos setores encarregados do planejamento, da gestão e da execução das ações de comunicação tem consistido na interpretação do ambiente interno.

Os profissionais de comunicação deparam-se com dificuldades inerentes à estrutura organizacional, além dos valores impregnados na cultura da instituição. Os valores de instituições
com fortes tradições burocráticas influenciam e dificultam a promoção de uma comunicação que vise a instituição como um todo. Valores patrimoniais e principalmente burocráticos antagonizamse com os novos valores gerenciais e modernos.

Muitas vezes, os comunicadores se vêem diante de interesses antagônicos à concepção estratégica de comunicação para a instituição, como por exemplo, o interesse de chefes em divulgar determinados projetos e ações dos órgãos ou mesmo promover iniciativas individuais com o intuito de promoção pessoal. Além dessas dificuldades, pode-se enumerar a forte tradição das instituições em divulgar somente via Assessoria de Imprensa e Publicidade Institucional, a falta de sinergia entre as mais diversas áreas da comunicação atuantes nos órgãos públicos e a pouca tradição dos profissionais de comunicação em planejar os relacionamentos e as ações institucionais, a fim de torná-las contínuas e duradouras.

Todos esses motivos remetem ao reconhecimento da necessidade de os comunicadores compreenderem a mentalidade das instituições públicas. Em outras palavras, sua cultura organizacional, os valores e crenças vigentes, difíceis de serem mudados.

As Assessorias de Comunicação são comumente convocadas a "repassar" idéias inovadoras, quando as instituições, no intuito de acompanhar os modismos, promovem alterações de alcance efêmero e superficial. Implantam-se programas de qualidade sem prévio diagnóstico da doutrina que tem inspirado e dado rumo às ações dos órgãos públicos, desprezando-se experiências acumuladas ao longo de anos.

Nessas ocasiões, elaboram-se projetos de comunicação para um público interno que reage das mais diversas formas. Determinados grupos fazem de conta que entenderam, que aceitaram e que estão de acordo com os novos empreendimentos e procedimentos. Outros se aglomeram e formam feudos, como forma de defesa contra o desconhecido, contra a própria instituição e contra as reclamações dos usuários.

Há muito a avançar, no que se refere à gestão dos processos comunicativos internos tendo em vista a escassa participação dos diversos grupos que formam o público interno. A falta de participação tem varias origens e, dentre elas, um modelo de organização que abre um amplo leque à fragmentação. Podemos citar o exemplo das universidades públicas federais, em que a dificuldade de integração da comunidade universitária tem dificultado a disseminação do que ela mesma produz.

O ambiente interno pode ser analisado, segundo Oliveira (1988, p.82-88) através do conhecimento da estrutura e da cultura organizacional. A estrutura organizacional é a responsável pela atividade da instituição e se expressa no organograma, nas atribuições, nos manuais de normas e procedimentos, nas rotinas de trabalho e nas descrições de cargos; a cultura organizacional se manifesta pelos valores e crenças impregnadas nos comportamentos individuais e coletivos. A cultura das instituições pode ser interpretada utilizando-se alguns procedimentos, como diz Oliveira (1988, p. 82-88): Olhe o ambiente físico da organização, verifique como a organização trata os estranhos, entreviste pessoas típicas da organização; observe como as pessoas usam o tempo, investigue como acontece o recrutamento, a seleção e a admissão das pessoas, observe como se progride nessa organização, verifique quanto tempo as pessoas permanecem na organização, observe o conteúdo das conversas especialmente nas horas das refeições, preste atenção ao relacionamento entre as pessoas, no ambiente de trabalho.

O perfil da cultura organizacional pode ser dimensionado em todos os aspectos da organização. Nas palavras de Srour (1998, p. 167) esse perfil pode ser demonstrado, pois "a arquitetura do ambiente, os móveis e os quadros embutem algo que os gestos desenham. As cores, os movimentos do pessoal e os equipamentos evocam o que as palavras celebram. E de forma curiosa, os agentes individuais, habitualmente tão diversos entre si, assemelham-se nos
ritmos e jeitos".

Então, diante de uma cultura tradicional, rígida e demasiadamente burocrática de muitos órgãos públicos, os comunicadores necessitam de um esforço suplementar para conhecer profundamente o ambiente em que operam. Para isso, as técnicas e as estratégias de comunicação com seus instrumentos são suas aliadas, permitindo-lhes identificar ameaças, falhas e oportunidades. Detectar o modelo de gestão em voga torna-se fundamental, na medida em que esse modelo constitui-se, como diz Beuren (1998, p. 36), na "representação teórica do processo de administrar, a fim de garantir a consecução da missão para a qual foi concebida".

Gerir significa desenvolver estratégias financeiras, de recursos humanos, de comunicação etc., a fim de que a instituição cumpra sua missão, assegurando-se continuidade. Pode-se, assim, dizer que, o modelo de gestão adotado pelas instituições exercem forte influência na concepção de comunicação, em virtude de as crenças e os valores dos dirigentes se transformarem em convicções influenciadoras do comportamento de todas as pessoas que compõem o corpo de servidores.

Beuren (1998, p. 39) ressalta que [...] a concepção do sistema de informações é dependente do sistema de gestão ao qual vai servir de suporte. Desse modo, os esforços, na arquitetura e no desenvolvimento do sistema de informações, devem ser concentrados na identificação das informações necessárias ao processo de gestão empresarial e na determinação dos subsistemas que devem gerá-las. Isto sugere que haja integração do sistema de informação com o sistema organizacional.

O diagnóstico da comunicação, nesses momentos, pode fundamentar os atos comunicativos, permitindo levantar dados originários da conduta administrativa, ajudando a compreender, a analisar e a propor alternativas de comunicação para alterar os relacionamentos hierárquicos estabelecidos e transformar as ações e os procedimentos adotados. O diagnóstico possibilita dar um tratamento adequado aos problemas originários da comunicação burocrática, possibilitando aos dirigentes reformularem posturas e atitudes e criarem novas alternativas para informar, esclarecer e relacionar-se. O planejamento da comunicação burocrática constitui um mecanismo eficaz para o processamento de informações importantes no âmbito das funções administrativas. Na maioria das vezes essa conduta em relação à comunicação burocrática – que viabiliza todo o sistema burocrático – é relegada e tida como de menor relevância.

Portanto, a participação dos trabalhadores e, especificamente, dos comunicadores na gestão das organizações se torna cada vez mais fundamental. Pode-se obter, através dela, um ambiente democrático e de compromisso entre os pares e entre esses e seus superiores, com deliberações colegiadas, podendo-se com isto reduzir a alienação e atenuar conflitos.

A atuação dos profissionais de comunicação dentro das organizações tem um papel importante nessa integração, a começar pela interpretação do ambiente organizacional. O diagnóstico dos sentimentos e necessidades do público interno pode ajudar a desenvolver, implantar e manter sistemas de comunicação consensuados e adaptados à realidade e, inclusive, adoçar os relacionamentos interpessoais com gotas de afetividade.

Segundo Neves (2000, p. 195) "conhecer ‘quem é quem’, suas motivações, idiossincrasias, poder de fogo, é indispensável para a construção de estratégias e do plano de ação".

Material de autoria de
Maria Francisca Magalhães Nogueira
Professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG

Trabalho:
GESTÃO DA COMUNICAÇÃO INTERNA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS: UM RECURSO ESQUECIDO

terça-feira, 2 de junho de 2009

Informar é estabelecer a Comunicação Interna. Falso ou verdadeiro?

Tem chamado a atenção a quantidade de matérias veiculadas na imprensa que mostram a importância da comunicação interna nos momentos de crise. Criou-se um senso comum, praticamente uma unanimidade em relação ao tema: manter a equipe bem informada é primordial para empresas que enfrentam momentos críticos.

Mas será que manter a equipe bem informada é comunicação interna?Convido você a uma reflexão. Está previsto na Constituição Federal que todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse. E os órgãos públicos, de fato, fazem esta comunicação e para isso usam os Diários Oficiais, por exemplo. Algumas instâncias e órgãos de governo possuem hoje uma visão mais ampla da comunicação mas, infelizmente, parte dos órgãos públicos dissemina informações de forma limitada e tradicional.Nós, cidadãos, nos consideramos bem informados? Não. No entanto, sabemos que se precisarmos de uma informação temos, na maior parte das vezes, onde buscá-las.

Nós, cidadãos, sentimos que o poder público estabelece uma comunicação conosco? O poder público busca um diálogo real com a sociedade?Esta é a diferença entre informar e comunicar. Pode ser que, neste momento, algumas empresas que pregam a importância da comunicação interna estejam, somente, informando. Isso é, na maior parte dos casos, comunicação administrativa – tem seu mérito e sua importância, mas não pode ser considerado comunicação interna.Comunicação interna é muito mais.

É estabelecer um canal de comunicação para que haja diálogo permanente entre a organização e seus colaboradores, que vise a disseminação de estratégias, missão e valores, a fim de gerar compreensão e engajamento da equipe em torno de uma visão mais ampla da organização e dos negócios. E hoje muito se discute a forma como esta comunicação deve acontecer – há quem defenda que se dá por meio de ferramentas e outra corrente defende que deve ser face-a-face e que cabe a empresa sensibilizar as lideranças para que estas sejam os agentes da comunicação.

Ou seja, comunicação interna é um processo muito mais complexo e estratégico. Informar é uma de suas atribuições, mas muito distante de ser a principal. E, se algumas empresas perceberam que nos momentos de crise informar é fundamental, posso garantir que - após o furacão e quando uma “nova normalidade” for restabelecida - estas empresas perceberão que, sem o estabelecimento de um trabalho de comunicação interno estratégico, será muito difícil ter uma equipe disposta a participar do novo momento.

E, como mencionei os órgãos públicos de forma tão generalizada, acho importante encerrar destacando que, nos últimos anos, temos visto excelentes exemplos de boa comunicação dos órgãos públicos e observamos, cada vez mais, o interesse que alguns órgãos passam a ter em estabelecer canais verdadeiros de comunicação. Espero, somente, que o movimento inverso não surja na iniciativa privada. Por conta de reduções de orçamentos, seria muito triste vermos a comunicação interna voltando no tempo e se limitando ao envio de informações ou à produção de “jornaizinhos” absolutamente chapa-branca.

*Gisele Lorenzetti é Diretora Executiva da LVBA Comunicação.

Texto do site da Aberje