"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

domingo, 31 de janeiro de 2010

10 motivos para dizer “não” aos boatos na empresa

Patrícia Bispo


"Você soube da novidade que está percorrendo os corredores da empresa?". "Lembra-se de ‘fulano' do setor de informática? Ele contou uma verdadeira bomba". Frases como essas são comuns nos corredores das empresas e não importa o segmento ou o tamanho da organização. São os chamados boatos que se multiplicam pela chamada "Rádio Peão" e que tanto podem disseminar informações distorcidas que não causem estrago à vida da empresa quanto divulgar "novidades" que culminam em fortes dores de cabeças para muitos profissionais, quando não levam os funcionários a um estado de medo. Isso geralmente ocorre quando, por exemplo, ocorre alguma demissão, um gestor é transferido ou, então, novas ferramentas são implantadas pela administração. Seguem algumas razões para averiguar se as informações que correm de "boca em boca" são motivos para deixar você, sua equipe ou demais colegas preocupados.


1 - Se alguém é desligado da empresa, não importa o cargo que a pessoa ocupe, nunca pense que o fato desencadeará uma onda de demissão em massa. Além de estressar a você mesmo, essa informação certamente deixará os demais ao seu redor com um analgésico prestes a ser engolido.

2 - O desligamento pode ter sido iniciativa do próprio funcionário que conseguiu uma proposta melhor ou que por um motivo de ordem pessoal, precisou afastar-se da empresa temporariamente.

3 - Quando uma organização preocupa-se com o clima, o líder toma a iniciativa de comunicar aos liderados o desligamento de um membro da sua equipe. Isso acalmará os demais profissionais e não dará margens às fofocas.

4 - Ao saber que uma nova tecnologia ou ferramenta será adotada, antes de dizer não ao novo, ao desconhecido, deixe primeiro que seu gestor faça a comunicação oficial e não leve em consideração o que "fulano" disse: "Essa novidade só trará dor de cabeça para todos, porque é muito complicada de ser utilizada". Antes, participe do treinamento oferecido pela empresa para realmente constatar se você terá ou não dificuldades em lidar com aquele novo recurso.

5 - Seu gestor foi transferido, desligou-se da empresa ou se aposentou? Nada é eterno e o mundo está em constante transformação, inclusive o meio organizacional. Por essa razão, se ouvir comentários do tipo: "O novo chefe trata todos no chicote e adora perseguir as pessoas. O departamento vai virar um inferno". Não faça a imagem de uma pessoa, sem primeiro conhecê-la. A metodologia de trabalho pode ser até diferente, mas não significa que quem chegará trará um "copo de espinhos" para você beber.

6 - Antes de dar "ouvidos" às notícias que correm pelos corredores, caso a empresa possua canais de comunicação formais, fique atento ao conteúdo de cada um deles. Quem sabe, aquele "boato" que o deixou assustado não foi um engano e o assunto é abordado de forma objetiva.

7 - Caso escute algo que pode comprometer o clima da sua equipe, não contribua para a disseminação dessa informação, pois a tendência é que a mesma seja repassada. E quando chegar ao quinto "par de ouvidos", já não será dita como você a ouviu. Tem dúvidas de que isso ocorra? Lembre-se, então, daquela brincadeira do "telefone sem fio", que você participava com seus colegas de escola.

8 - Se, porventura, a tentação for grande demais e você queira comentar com alguém, o faça após o expediente. E que essa pessoa seja alguém confiável, que no dia seguinte não saia espalhando que você falou isso ou aquilo. Já pensou como sua imagem ficará na organização, caso isso aconteça?

9 - Quando uma equipe possui um gestor acessível, o que deveria ocorrer sempre, se uma "dita novidade" o envolva, uma boa alternativa é procurar o seu líder para uma conversa franca. Peça alguns minutos da atenção do seu líder para tirar dúvidas e saber se o que chegou a você tem procedência ou não passa de uma "fofoca", para tirar sua atenção das atividades e prejudicar sua performance. Lembre-se que, infelizmente, a inveja faz parte da realidade da vida e ninguém está livre de ser alvo dela.

10 - Supondo que você ouviu um "boato" hoje e guardou para si. Duas semanas nada aconteceu, como a "rádio peão" havia anunciado. Isso significa que tudo não passou de uma informação distorcida, sem fundo de verdade. Esse é mais um motivo para você fazer uma triagem daquilo que escuta, pois no final das "contas" quem pode ser prejudicado é você próprio.


*material disponível no portal RH. Disponível em:
http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Dicas/6418/10-motivos-para-dizer-nao-aos-boatos-na-empresa.html

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O problema é a comunicação nas empresas

No mundo atual ouvimos falar que estamos imersos nas informações, pois participamos da “era das informações”. Agora eu pergunto: “De que adianta ter tantas, ou melhor, todas as informações se não sabemos comunicá-las no tempo certo e no momento oportuno?” Quando nos deparamos com este fato no dia-a-dia nas empresas que trabalhamos surge outra questão. Porque as informações não percorrem os departamentos de nossa empresa se temos todas as informações dos produtos, serviços e necessidades dos clientes? Porque não estamos prestando um bom serviço, apresentando um bom produto ou atendendo as necessidades de nossos clientes? A razão de tudo isso está no fluxo da comunicação dentro da nossa empresa. Será que o caminho pelo qual devem percorrer as informações, chamado de “canal”, é realmente um meio de comunicação? No fundo de tudo isso, torna-se latente a pergunta: “O que acontece com a comunicação?” Para responder a esta pergunta sugiro quatro caminhos que, na verdade, não deixam de ser quatro abordagens do mesmo assunto. Comunicação inadequada Muitas vezes falamos com clientes ou com fornecedores ou até mesmo com vendedores novatos sobre realidades do nosso trabalho que eles desconhecem.

Já presencie recepção de pedidos de compradores novatos que não sabem nem o que estão pedindo. Neste caso, usamos uma linguagem específica sobre o assunto e eles acabam ficando alheios ao tema. Por conta disso, não conseguimos atender as verdadeiras necessidades do cliente. É importante no primeiro contato com o cliente ou fornecedor, perceber o nível de conhecimento do assunto que será abordado para que o cliente entenda o que está sendo transmitido e não fique numa situação desconfortável. Já ouvi um pai de família responder a pergunta do filho, de uns 6 ou 7 anos, sobre “o que é água” da seguinte forma: “Filho a água é um elemento químico essencial para a vida”. Pergunto-me, o que ele poderia ter entendido? Falta de comunicação O que dizer então quando as pessoas, mesmo tendo todas as informações não conseguem passá-las adiante no momento certo e no tempo oportuno, quando se precisava realmente.

Isso acontece em todas as empresas diariamente, mas este tipo de problema, muitas vezes, não é considerado como “importante”, mesmo sendo ele a base dos grandes conflitos dentro das empresas, sabotando decisões, ações e metas. Infelizmente, as pessoas, por não terem consciência da magnitude do desafio, acham que as dificuldades de comunicação são problemas menores, não relevantes. Nestes casos a empresa transforma-se numa arena, na qual as pessoas buscam preservar seus espaços, manter seus poderes, acreditando que podem se manter nos seus cargos segurando informações e controlando a comunicação. Falta de sincronismo na comunicação Acontece quando estamos ouvindo o mesmo assunto, porém submersos em realidades diferentes. É comum encontrar pessoas ocupando cargos nas empresas por indicação, por exemplo, e não por conhecimento.

Negociar com este tipo de pessoas torna-se inviável porque o vendedor fala uma coisa e a pessoa imagina uma outra justamente por não ter o conhecimento da área e do assunto a ser tratado em dita negociação. O sincronismo na comunicação exige que os interlocutores estejam imersos no mesmo paradigma, que tenham alguns pré-conceitos (pré-conceito no sentido de pré-conhecimento do assunto a ser tratado) do que estão gerenciando. Por isso, antes de participar de uma reunião é importante pesquisar tudo sobre o assunto, fazer as perguntas pertinentes no momento oportuno para não passar por tolo. Temos muitos recursos e poucos meios que funcionam Não adianta ter todas as informações e todos os meios de comunicação ao nosso alcance se não foram usados para tais fins. Já conheci pessoas que entram para ocupar cargos importantes em empresas tecnicamente avançadas, mas com bagagens de empresas tecnologicamente desatualizas.

Nesse caso, encontram ferramentas modernas e necessárias como comunicadores internos, intra-net, sites, e-mails, celulares de todo tipo, jornais internos, mas não sabem usá-los e ainda resistem à existência deles. Nesse sentido, chamo a atenção dos dirigentes que contratam esse tipo de pessoas para que programem a chegada dos funcionários visando sua integração na equipe de trabalho de forma sincronizada dentro dos padrões já existentes, acompanhando-os de perto por meio de treinamentos.

Elías Nova Nova Pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas para Negócios. Cursando pós em Consultoria Empresarial. e-mail: elias@atrativagrafica.com.br.

*Material disponível em:

http://www.administradores.com.br/artigos/o_problema_e_a_comunicacao_nas_empresas/13365

*texto bem interessante indicado pelo meu prof° do MBA Julio de Carvalho.
Abs

Dani Cabraíba

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Comunicação Organizacional exige um profissional mestiço

Já dizia Paulo Nassar que o comunicador empresarial antenado é mestiço e faz comunicação junto com os sociólogos, filósofos, psicólogos, arquitetos e engenheiros nesse tempo de inclusão.

Inicio minha participação neste espaço Aberje citando o Paulo por que tenho aprendido muito suas idéias. No meu ponto de vista o termo “mestiçagem” é uma feliz associação que visa traduzir o princípio de que é necessário ter a capacidade de transitar por diferentes áreas, articular uma multiplicidade de conhecimentos, abandonar as posturas tradicionais e fixas. Os profissionais de comunicação devem colocar em diálogo aspectos históricos, questões antropológicas, percepções culturais e diferentes formas de expressão, folclores regionais, literatura, pesquisa musical e computação gráfica.

Para lidar com tão diversificado campo de questões, o profissional moderno terá que adotar uma “atitude de trânsito” não conhecida por seus colegas de outros tempos. Abordar os problemas econômicos e sociais e propor soluções com participação de todos, apresentar argumentos racionais além dos emocionais para transformar o consumo em algo mais consciente, oferecer informações técnicas sobre as características de um determinado produto, abrir democráticos canais de comunicação que permitam ao cliente a participação nas decisões de cunho sócio-ambiental, fundamentando na ética e na responsabilidade.

A ação dessa atitude de flexibilidade pressupõe capacidade de transitar por campos diferentes, realizar misturas, tomar parte em situações divergentes, conflitivas, híbridas, dispor de um ânimo diversificado, entrar em todos os lugares, falar de diferentes maneiras, dar acolhida ao que antes eventualmente rejeitava. Em suma, tornar mestiço é “misturar o sangue”.

O termo mestiçagem é uma metáfora que pode auxiliar na compreensão do sentido de ter capacidade de transitar por espaços e conceitos diversificados, contrastantes, divergentes. Profissionais de marketing, de comunicação e de relações públicas devem ter capacidades intelectuais múltiplas, com seu conhecimento baseado em experiências além da comunicação, fundamentados na ética e nos conhecimentos das ciências sociais, da administração, da psicologia, da antropologia, história e filosofia. Assim, o profissional transita por todas as áreas e situações de uma organização. “Atitude de mestiçagem” significa o profissional estar apto a aplicar as várias ferramentas administrativas e comunicacionais com os conceitos e conhecimentos da sua área.

Estudantes de comunicação e de marketing necessitam de conhecimento e cultura mestiça, advindos das mais variadas fontes e apropriadas a cada tipo de problema a resolver. Profissionais comunicadores devem ter equipes intelectualmente mestiças, com conhecimento e experiências além da comunicação, com ética e conhecimentos nas outras ciências.

Atitude de mestiçagem significa estar apto a aplicar as ferramentas da comunicação e os conhecimentos da sua área de atuação e das outras que a complementam - transformar a natureza e a cultura da organização. O comunicador mestiço sabe trabalhar com a interdisciplinaridade e utilizar esses conhecimentos a favor de um mundo melhor e mais justo.

Defendo a idéia de que o profissional de comunicação e de marketing deve ser, antes de tudo, mestiço e saber lidar com uma nova forma de linguagem, uma “terceira linguagem”, onde não se exclui a necessária visão institucional da comunicação, mas também se eleva a condição mercadológica da organização. Mas isso é assunto para a próxima coluna. Até lá.

Renato Martins

Relações Públicas, Publicitário, Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Pesquisador e Professor de Graduação e Pós da Universidade Estadual de Londrina, Professor convidado da Fundação Getúlio Vargas - FGV/ISAE. Consultor nas áreas de Marketing, Comunicação Mercadológica, Relações Públicas e Propaganda. Avaliador do MEC/INEP, Institucional, de EAD e de cursos. Desenvolve Projeto de pós-doutoramento na USP.

*Material do site da Aberje, disponível em:
http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=121&ID_COLUNISTA=50

sábado, 16 de janeiro de 2010

A união Marketing e Relações Públicas por um novo modelo de Comunicação

Texto sincero e bastante pertinente sobre Relações Públicas e Marketing que Leo Bragança postou no dia do RP (02.12) no site www.comuncacao.etc.br

Segue, espero que gostem tanto quanto eu.



Entrei na faculdade como postulante a redator publicitário. Criava peças para portifólio sem parar, estava alucinado com o momento que a publicidade brasileira vivia, reconhecimento internacional, mercado carioca respirando bons ares, tudo muito lindo. Até que a vida me joga no RH de uma multinacional para cuidar de comunicação para o funcionário. Textos chatos, quadros de aviso de feltro verde e uma infinidade de vícios corporativos desprezíveis, como este que dá nome ao blog (por ironia, claro).

Esse desafio me distanciou do mercado publicitário e me fez olhar a comunicação de modo mais aberto, com mais possibilidades. Para aumentar de vez essa visão, tive a oportunidade de conhecer o Marcio Rolla, super profissional de comunicação, em um curso do Senac. Marcio tinha acabado de revisar o livro “A Queda da Propaganda”, do sempre polêmico Al Ries, e me indicou a leitura. O livro trata da importância da mídia espontânea e o quanto a propaganda tradicional não consegue mais tanto efeito em persuadir as pessoas. Estamos falando em 2003 ainda, ou seja, pouco antes da explosão das redes sociais. E o curioso é que o livro fala muito pouco em internet.

Mas já que falamos nela, a internet está mudando completamente o modo com que nos comunicamos e também como queremos nos relacionar com as empresas e suas marcas. Não é mais na propaganda da TV que eu e você vamos nos manter fiel à uma marca. Pelo contrário, isso hoje é muito vulnerável pois com as redes sociais temos “potencial de voz” igual à das empresas. E vai se dar bem nesses novos tempos quem conduzir ações estratégicas, no momento certo, para o público certo, pelos meios certos. Tudo muito óbvio? Concordo, mas por que então as empresas não estão tomando este caminho?

O profissional de RP sempre foi colocado no final da lista de prioridades da comunicação. Era o cara do press release e do álbum de clippings. Também pudera, a única forma de conseguir publicidade gratuita era pela mídia de sempre (TV, rádio, jornais etc.). Daí o marketing voltava-se à propaganda apenas, ficando de costas para RP. O resultado disso é esta chuva diária de slogans, mensagens de “compre agora” e “ligue já”, que até já tiveram efeito. Hoje não mais.

E quem mudou isso? Ele, o então esquecido profissional de RP. Aqueles milhões investidos em relacionamento com a mídia passou a ser direcionado para trabalhos direcionados, mais comprometidos com resultados e muito menos com oba-oba. A internet possibilitou e muito esta mudança, com o trabalho de otimização da marca pela rede, das mais diferentes formas. Sempre usando a tecnologia como ferramenta, claro. Tem muita gente fazendo bobagem por aí, colocando a tecnologia como o diferencial, enquanto o grande diferencial continua sendo o ser humano, pois é ele quem opera tudo isso.

A união marketing e RP trouxe autenticidade à comunicação. O espaço para truques e mentiras é cada vez maior. Mais: De forma livre e espontânea. Sempre dou o exemplo do site Coma com os Olhos, porque ele é retrato de algo que sempre vimos na nossa cara, mas só agora estamos dando conta. A publicidade sempre nos fisgou. Sempre nos mentiu. Hoje temos regulações diversas, mas há um tempo atrás a publicidade nos vendeu o cigarro como algo bom, que nos ofereceria personalidade. Estou falando de um rolo de toxinas. De algo que mata. A propaganda mente. Nos chama ao “mundo de Marlboro” sem nenhuma responsabilidade do que o produto anunciado pode fazer por nós.

A comunicação do futuro é aquela que nos oferece meios de pensar. Pensar inclusive se aquela empresa de menor porte, que está fazendo uma ação redonda de mídia espontânea, não pode conquistar um lugar em nossa mente do que aquela que por anos e anos trovejou em nossas cabeças com publicidade. Até o branding entrou neste barco. O case da marca Oi é um grande exemplo. Pra que ser apenas uma marca de serviços de telecomunicações? A Oi aproxima sua marca de inúmeras ações culturais e já experimentou até entrar em nosso guarda-roupa, em parceria com a marca Sandpiper. Acredito que tenha sido uma ação pontual, mas válida. Foge da propaganda, do habitual, do “ser mais um”.

A nova comunicação veio para oferecer novas possibilidades e negócios para as empresas. As relações públicas se tornaram realmente públicas, pois antes eram focadas na mídia. Os profissionais de comunicação que terão destaque daqui para a frente, em especial os publicitários, terão que deixar de lado seus prêmios e egos para se preocupar com a comunicação e direta com seu público. Não importa a ferramenta. Hoje são os blogs, o Twitter, mídias digitais diversas. Amanhã pode mudar tudo isso, ser criado um novo modelo, o tal “3.0” que alguns apressados já denominaram. Com o profissional de marketing trazendo a criatividade que sempre amparou a propaganda e o relacões públicas trazendo seu foco em pessoas, a comunicação tem muito a ganhar. Parabéns aos profissionais de RP. Sem vocês, a comunicação mercadológica já teria entrado em descrédito.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Para entender Relações Públicas e a Comunicação Organizacional

Partindo do pressuposto de que a área de Relações Públicas representa o ponto-de-vista da comunicação institucional, sua interação com demais subáreas da comunicação integrada – quais sejam a comunicação mercadológica, a comunicação interna e a comunicação administrativa – é fundamental. A perspectiva de análise, planejamento, estratégia, ação e avaliação de Relações Públicas considera o viés do impacto da interação com públicos de interesse na eficácia organizacional, ou seja no estabelecimento de relacionamentos fortes, duradouros e produtivos, levando todos os agentes a serem e a sentirem-se protagonistas das decisões e de sua operacionalização, obtendo, com isto, um engajamento maior e uma respeitabilidade pública mais ampla e consistente.

Neste sentido, quaisquer outros esforços e atitudes de comunicação nas demais subáreas precisam ser permeados deste senso estratégico integrado, que aconselha, interage e monitora as ações e reações de uma opinião pública cada vez mais crítica e participativa, e que integra diferentes agrupamentos sociais em diversos momentos de contato, como funcionários, fornecedores, órgãos governamentais, imprensa, investidores, comunidade, clientes diretos e outros. Em tempos de intensa migração de ambientes e relações para os meios virtuais, quando a comunicação e interfaces partem de múltiplos atores, que produzem e distribuem digitalmente conteúdos e se posicionam de maneira propositiva, cientes de seus direitos e do alcance de sua voz, é mister a consciência e o zelo sobre conceitos emitidos e sua compreensão pelos interlocutores nesta nova dinâmica, daí que atitudes isoladas de outras subáreas da comunicação podem vir a afetar grandemente a credibilidade, a percepção pública e a eficácia da organização. Neste ínterim, os preceitos da área de Relações Públicas e da Comunicação Institucional, lastreados na proposta de transparência e no estímulo a conversações cruzadas, numa retroalimentação contínua de informação e conhecimento, devem estar também na base dos projetos e instrumentos implementados por setores como Marketing e Recursos Humanos.

A área de Relações Públicas serve como modelo também no ponto-de-vista do embasamento em planos estratégicos, que conferem potencialidade às ações por conta do caráter sistêmico e transversal. Assim, dispersões são minimizadas, tempo e dinheiro investidos são otimizados e os resultados pretendidos tendem ao atingimento, porque RP busca evitar uma dissonância de significações, por meio da adequação de linguagens e canais a cada grupo de pessoas visado, tendo como pilar a missão, a visão e os valores da organização, sua identidade e sua promessa de produtos e benefícios. Isto se vê aplicado desde a redação e entrega de documentações oficiais administrativas, até a organização de eventos de integração funcional, passando por uma assessoria a veículos de comunicação como complemento de lançamento de produto, bem como na gestão de crises que envolvem todos os públicos com alguma intensidade e efeito. Sempre a área de RP articula um alinhamento de posturas e ações na organização para que ela seja percebida com unicidade, de maneira concatenada, legível e coerente, alcançando a legitimação.

É relevante ainda a contribuição de RP no que tange à análise de cenários e elaboração de diagnósticos, calçados em intensa capacidade de observação e de aplicação de técnicas investigativas que delineiem tendências e práticas dos públicos de interesse. De posse deste tipo de insumo, são muito melhor determinadas as estratégias e táticas comunicativas em quaisquer esferas, notadamente se cruzadas as informações gerando panoramas e perfis que permitam estimar movimentos futuros e embasar necessidades de correção de rumo em prazo curto.

Basicamente, os mecanismos de atuação e influência da área de RP nas demais subáreas da comunicação integrada despertam e viabilizam o diálogo, o respeito às opiniões correntes e diferentes e a ação colaborativa como forma de disseminar informação, gerar conhecimento, incentivar ou mudar comportamentos e alcançar um resultado final satisfatório para todos os envolvidos. Ao dar voz a interlocutores, minimizando as diferenças de poder e buscando afinar os objetivos e a forma de alcançá-los, está-se exatamente abrindo canais mais propícios à implementação de formatos de comunicação e relacionamento independente da origem dentro da organização.


COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL - Comunicação Organizacional Integrada é um conceito estratégico de gerenciamento de todos os esforços de informação, conhecimento e relacionamento de uma dada organização, junto aos seus múltiplos e complexos “stakeholders”, entendendo e exercendo a articulação sistêmica da comunicação institucional, da comunicação mercadológica, da comunicação administrativa e da comunicação interna como elos de um mesmo discurso, para o que se requer uma consciência transversal sobre o impacto de cada abordagem e contato sobre a reputação, a aceitação e a longevidade.

Partindo desta conceituação, é evidente a importância das organizações adotarem uma filosofia nesta direção. Em cenários de competição acirrada e mundial, dado o estreitamento de fronteiras a partir da globalização econômica e de novos patamares de sociabilização, com um alto grau de desenvolvimento das telecomunicações e da informática, a realidade organizacional de recursos e tempo escassos e de requisitação de resultados abundantes não dá espaço para improvisações e dispersão. Mais que isto, as organizações precisam compreender sua missão para bem além do tripé emprego-imposto-produção, no propósito de atingir sua consolidação e a necessária lucratividade. Na verdade, emerge e se consolida um panorama de profundas e cruzadas exigências para as organizações no campo da responsabilidade social, ou seja de sua capacidade de desenvolver uma participação comprometida com o entorno, através do suporte, direto ou intermediado, para o incremento da oferta e do aproveitamento da sociedade em questões como educação, esporte, saúde e cidadania, entre outros itens até então reservados às estruturas governamentais e civis organizadas. O agrupamento de tão diferentes agentes – os públicos de interlocução – num caminho coeso, articulado e efetivo é exatamente a função da Comunicação Organizacional Integrada, estimulando e coletando de maneira permanente indicadores, percepções, contrariedades, afinamentos na busca do êxito organizacional, com o mesmo empenho do desenvolvimento social da coletividade.

Não podendo mais haver percepção dissociada, a organização precisa internalizar e processar as novas expectativas e transferir seu foco para outro trinômio – agora contemplando os ambientes econômico, social e humano como partes complexas e integradas. Neste sentido, é importante perceber que as organizações são compostas e movidas por pessoas, em interrelações internas e externas, e portanto a base da ativação, manutenção e resgate de diálogos cooperativos constitui a própria comunicação e é a essência do próprio funcionamento organizacional.

Rodrigo Cogo
Relações Públicas pelo Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria , tem cursos de aperfeiçoamento na ESPM em Promoção, na FGV em Pesquisa de Mercado e no IBRADEP em Gestão em Protocolo e Cerimonial. Frequenta o curso de especialização em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e RP da ECA/USP e é Mestrando em Ciências da Comunicação pela mesma instituição.

* Material do site da Aberje, disponível em:
http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=104&ID_COLUNISTA=18

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um olhar antropológico das redes sociais

O ano de 2009 nos deixou uma contundente certeza: queiramos ou não, estamos em rede como nunca antes na nossa evolução cultural (por evolução entenda-se aqui o “processo de mudança” e não necessariamente o “progresso” no sentido linear).

Tudo indica que tal processo irá se intensificar nos próximos anos, continuando a dar forma ao que o filósofo Manuel Castells definiu como a “Sociedade em Rede”. E nesta nova era do conhecimento e da sociedade em rede, o Brasil conta com traços culturais de sociabilidade que se manifestam na rápida adoção das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), o que o coloca numa situação privilegiada de competitividade global.

Todavia, junto com esta certeza, vem várias outras incertezas que geram, especialmente no meio empresarial, uma grande ansiedade sobre como se adaptar às mudanças de características vertiginosas, orgânicas (não mecânicas) e auto-organizadas (não impostas pela hierarquia).

É por isso que 2009 foi o ano no qual as organizações brasileiras se voltaram massivamente às chamadas “mídias sociais”, compreendendo que, querendo ou não, já estão na sociedade em rede.

Junto com o empoderamento de um consumidor cada vez mais conectado, antenado e criador de conteúdo e, com as novas características dos cidadãos da denominada geração Y, os limites classificatórios se tornam cada vez mais difusos, nos levando a compreensão de que tudo está interligado.

Dissipação de limites entre a organização empresarial e seus stakeholders (aonde começa e termina cada uma?) e entre o mundo on-line e off-line como espaço de experiência e relacionamento, são exemplos que impactarão cada vez mais a maneira de como se pensa e se pratica a comunicação empresarial.

Nesta vertente, as organizações que se comportem de maneira “retardatária” na compreensão e adoção de novas tecnologias e conceitos de comunicação empresarial, poderão sofrer as conseqüências de quem entra tarde no jogo, podendo se auto-excluir do emaranhado entrançado sócio-cultural contemporâneo.

Com as certezas e incertezas herdadas do ano que passou, nossa proposta para o ano que começa é contribuir na compreensão e ação da comunicação empresarial no seu sentido mais amplo, a partir de uma ótica antropológica das redes sociais que lhe dão vida. Comecemos, então, pela pré-história das redes sociais.

A pré-história das redes sociais - Junto com a crescente popularidade do conceito de “redes sociais” (vinculado ao mundo virtual ou online), cresce a esperança de uma sociedade mais integrada e horizontal, muitas vezes descrita através de metáforas organicistas e provenientes da teoria da complexidade.

No entanto, é preciso compreender que o conceito de rede não implica necessariamente algo positivo per se, já que a rede é um meio e não um fim em si mesma, e a valorização da rede é algo relativo aos atores que a compõem.

O conceito de rede social tampouco é algo novo (mas sim ganha novas características na sua versão virtual ou on-line), já que, como mostraremos a seguir, a interligação entre indivíduos é inerente ao gênero humano.

Durante mais de 99% do tempo transcorrido desde a aparição dos primeiros indivíduos do gênero Homo – há aproximadamente dois milhões de anos AC -, nossos antepassados já se organizavam socialmente em pequenas comunidades do tipo caçadoras- recolectoras, nômades, com pouca divisão do trabalho e primando a interação cara-a-cara e a tomada de decisão coletiva e guiada pelo consenso. Ou seja, mais de 99% da nossa existência na Terra vivemos em pequenas redes sociais de topografia (forma) horizontais e clusterizadas em pequenos grupos pouco conectados entre si.

No tempo restante (menos de 1%), importantes mudanças aconteceram - o que não significa que o período anterior fosse estático. De maneira muito resumida, podemos dizer que tais mudanças, particularmente tecnológicas, afetaram o tamanho e hábitos das comunidades e, subseqüentemente, ampliaram os limites do mundo, o que levou a uma posterior sub-limitação geopolítica em Estados-Nação.

Nos últimos vinte anos (irrisórios 0,001%) a aparição da Web 1.0 e posteriormente da Web 2.0 possibilitou, como nunca antes, a interação entre indivíduos diversos e fisicamente distantes, tornando o mundo significativamente mais enxuto (ao menos em termos comunicacionais e em referência aqueles incluídos digitalmente). Este fascinante processo reaviva o conceito de “comunidade” inerente ao nosso gênero. Comunidades formais e, sobretudo, informais que se constituem a partir de atributos em comum, mas desta vez também existem na forma virtual ou on-line, dialogando em tempo real no seu interior e entre elas.

Acreditamos que uma nova história de relacionamentos mais horizontais e auto-organizados está começando e pode beneficiar-se à luz da compreensão da natureza humana, caracterizada, entre outros aspectos, pela necessidade da comunicação informal além das estruturas formais (como é o caso das empresas).

Em suma, este é o momento propício para olhar a comunicação empresarial como uma grande e complexa rede de indivíduos que interagem além dos limites das estruturas formais e físicas e dos canais tradicionais de comunicação.

Desvendar e gerenciar as comunidades de afinidade que se criam e existem dentro e fora das organizações deve ser uma prioridade estratégica da Gestão em geral e da comunicação empresarial em particular.

É justamente sobre a importância e a possibilidade empírica de desvendar as redes sociais informais que subjazem o organograma formal que estaremos tratando no próximo artigo. Até lá.


Ignacio García - Antropólogo Sócio-cultural, professor do ensino superior e doutorando avançado pela Universidade de Buenos Aires. Pesquisador das redes sociais de cooperação e inovação em diferentes tipos de organizações a nível internacional.

*Material do site da Aberje, disponível em: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=112&ID_COLUNISTA=46

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Fullsix revela 10 tendências da comunicação para 2010

O Grupo Fullsix identificou dez tendências que irão influenciar a comunicação das marcas durante o próximo ano. Segundo a Fullsix tem havido um aumento da importância das redes sociais no dia-a-dia dos consumidores em todo o mundo e Portugal não é excepção. Existem, no país, 3,2 milhões de utilizadores inscritos no Hi5, mais de 900 mil no Facebook e aproximadamente 60 mil no Twitter. Fique a conhecer as tendências identificadas pelo Grupo Fullsix.

1 - Realidade Aumentada - utiliza uma câmara para sobrepor informação virtual à realidade. Esta experiência permite à marca adicionar um sexto sentido na relação com o consumidor.

2 - Inteligência Geo-espacial - com o aumento da mobilidade as marcas que proactivamente fornecerem respostas em tempo real sobre um contexto distinguem-se das restantes.

3 - Comércio de conteúdos - com a proliferação dos vídeos interactivos os consumidores vão poder comprar itens enquanto assistem aos conteúdos multimédia.

4 - Cross-screen - o universo de media tem vindo a aumentar assim como o número de ecrãs onde a informação está disponível. Para os marketers isto significa que as mensagens terão que estar acessíveis quando, onde e como os consumidores as desejem.

5 - Micro-comércio - oferecer bens e serviços em micro-pagamentos pode ajudar uma marca a transformar o comportamento de compra, até agora premeditado, em compras impulsivas.

6 - Mundo que fala - os objectos poderão ser convertidos em canais de comunicação eficazes, capazes de envolver e interagir com o consumidor.

7 - Ground-swell surfing - a velocidade do vento, a duração e abrangência são factores chave para a produção das maiores ondas de surf; o mesmo acontece online: novas tecnologias sociais emergem rapidamente (velocidade), todos os segmentos despendem mais tempo em social networking (duração), em todos os pontos do globo (abrangência).

8 - Guerra de dados - se o Facebook fosse um país seria o quarto maior a seguir aos EUA. Em 2011 o universo digital será 10 vezes maior do que era em 2006. Isto significa que as oportunidades para as marcas são imensas.

9 - Premium Model - é benéfico deixar uma vasta audiência experimentar sem custos, uma oferta de uma marca. Rapidamente, a elevada procura por esses produtos convertem-nos em bens Premium.

10 - Long Tail vs DNA - imagine-se a oportunidade de negócio para uma empresa que, recorrendo a sistemas flexíveis de fabrico computorizado, consiga produzir de acordo com as características de cada indivíduo. Qual será o futuro da ultra-costumização?

(Texto de Maria João Lima, publicado no portal Meios e Publicidade)

*Material do e-news do Mundo RP em RP em Ação n.199/10 Ano XIII - Janeiro