"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Redes Sociais: novos desafios de marketing

Com o surgimento das mídias sociais nos últimos anos, criaram-se imensas oportunidades para as empresas construirem relacionamentos mais íntimos com seus stakeholders.

Por Barbara Cristine

Nos últimos anos as pessoas começaram a contribuir ativamente com dados seus – uma maneira de expressar o que talvez as interessem, e o elemento social no marketing – o boca a boca, as perguntas para os amigos sobre o que compraram – é um condutor muito importante. Experimentos e pesquisas mostram que esse marketing social, ou de redes sociais, costuma ser de cinco e dez vezes mais eficaz do que outras formas de marketing. Não é à toa que 34 das mais de 100 maiores empresas listadas na revista Fortune já usam o Twitter.

O impacto das ações de marketing nas mídias sociais pode ser muito maior que nas tradicionais, dependendo do contexto. Podem gerar resultados bem positivos se forem usadas corretamente. Contudo, da mesma forma que abrem portas para o sucesso, também estão sujeitas ocasionar um impacto negativo, gerando problemas sérios para empresa.

Nas mídias sociais a voz é tanto da companhia quanto dos consumidores que expressarem suas preferências e aversões sobre determinados produtos. Sendo necessário checar quais são as melhores práticas, métodos e processos para potencializar este poder. A questão é que mensurar este tipo de interação é algo bastante complexo, já que as dinâmicas das redes sociais são diversas e nem sempre totalmente visíveis em números.

Some-se a isso o fato de que o mercado digital tem como uma de suas características principais a sua extrema volatilidade. O que era novidade num mês, num outro pode se tornar praticamente assunto de museu. E esta característica não poderia deixar de ser aplicada às redes sociais, cuja rápida evolução já está provocando uma mudança significativa nas relações entre usuários e marcas.

Nesse ambiente volátil, a Amazon vem conseguindo se sustentar e com desempenho bem superior ao das demais. Sendo considerada modelo de como empresas podem alavancar o poder da web 2.0 e do que vier depois dela, para vender e se comunicar com os clientes de maneiras antes impensáveis (@amazondeal). Detalhe: 35% de suas vendas são para o Kindle, um leitor de e-books.

O "Share the Love" - compartilhe o amor - foi criado pela Amazon para fomentar a propaganda nas redes: Assim que você paga, é questionado sobre se há alguém que possa estar interessado em comprar um exemplar do livro que você acabou de comprar. Como incentivo, você ganha 10% de crédito e seu amigo ganha 10% de desconto se realmente comprar o livro.

"O crescente desejo das pessoas de compartilhar suas opiniões, experiências e aspirações dá às empresas uma oportunidade de ouro para captar, medir e conectar dados e, depois, utilizá-los no desenvolvimento do novo "marketing das redes sociais", "marketing social". "Essas são as mudanças mais fundamentais que ocorreram no mundo nos últimos dez anos", garante Andreas Weigend, ex-cientista-chefe da Amazon, consultor da Best-buy, Lufthansa, MySpace, Nokia.

Weigend cita duas dimensões do componente Promoção:

1) Promoções de empresas para pessoas – a ideia de dez anos atrás do marketing um a um e a ideia de que as empresas realmente compreendem o que deveriam estar promovendo para você, consumidor individual. Isso é bem diferente da promoção tradicional de mercado de massa, mas ainda se baseia nas antigas variáveis de tamanho de mercado, tamanho de segmento, tamanho do alvo etc.

2) Promoções de pessoas para pessoas. O que há de novo do lado da promoção está aí, reunindo o aspecto social e o aspecto viral. Como, pelo aspecto viral, o custo de aquisição do cliente é zero, isso é algo que mudou o mundo – empreendimentos como o Facebook não existiriam sem um ciclo viral.

Outro exemplo de sucesso nas mídias sociais foi a Dell ao vender cerca de US$ 1 milhão em equipamentos de informática nos EUA durante o período de vendas de final de ano enviando informações sobre promoções a seus seguidores no Twitter (@DellOutlet).

Um pequeno investimento nas mídias sociais já é suficiente para um retorno satisfatório, sendo bem mais rentável do que outras formas de marketing e publicidade, tendo em vista que um bom monitoramento e boas ações trazem resultados surpreendentes para a empresa. Para isso, vale a pena pensar nos seguintes tópicos:

Pesquise o seu público-alvo - Visite as comunidades relacionadas a seu produto, ou que reúnam as pessoas que você quer atingir, no MySpace, no Orkut, no LiveJournal, no Facebook etc. Vale a pena investir seu tempo para conhecer a linguagem destas pessoas, o que elas esperam, como interagem. Assim, o risco de fazer uma campanha equivocada ou fora de foco é consideravelmente reduzido.

Tente validar seu investimento - Fique atento às métricas dos cliques. Lembre-se que banners são meios "conservadores" de publicidade num ambiente onde a interação e a troca de idéias na maioria das vezes tem muito mais impacto do que uma campanha "institucionalizada".

Procure outras formas de interação - Não só os fóruns de discussão ou os canais do YouTube apresentam algum tipo de interação com as redes sociais. Os blogs já provaram seu poder catalisador de opiniões - neste caso, sabemos que alguns espaços nos comunicadores mais badalados estão entre os lugares mais caros e cobiçados.

Meça, é claro - Ainda não existem métricas totalmente eficazes para este tipo de ação, mas já existem no Brasil empresas que fazem a monitoração das redes sociais, e são capazes de fornecer relatórios das citações que uma marca recebe neste inesgotável universo de discussão. Por exemplo: você pode descobrir que aquele banner legal que você colocou numa comunidade do MySpace, apesar de ser bastante clicável, gerou uma repercussão negativa nos fóruns de discussão. O equilíbrio entre "quantitativo" e "qualitativo" faz toda a diferença.

Aposte no customizável - As coisas estão partindo para um nível de personalização jamais visto anteriormente. Certamente, criar um widget, por exemplo, para os fiéis participantes da comunidade sobre seu produto pode ser bem mais efetivo do que encher a página de banners.



Material disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/redes-sociais-novos-desafios-de-marketing/44905/

sábado, 16 de outubro de 2010

Apertando a tecla SAP entre as Gerações X e Y

Flavia Vianna


Incrível como uma ferramenta que permite mensagens de apenas 140 caracteres pode nos atualizar, emocionar, fazer pensar, refletir, rir ou todas as opções anteriores juntas. Tem algumas semanas que recebi um post pelo Twitter contando de uma mãe que entrou em uma loja de eletrônicos e perguntou pro vendedor: “Aqui vende esse tal de twitter? Preciso comprar um para entender melhor o meu filho”.

Fiz uma #trip quase #streaming pela velocidade do #download de imagens e insights no meu cérebro naquele momento, iniciado no #euri e #rialto para o #think sobre #geraçãoX #geraçãoY. O #fato é engraçado porque entende-se que nenhuma mãe do mundo é obrigada a ter knowhow de redes sociais. Mas, o que ela está fazendo é se dedicar a entender como funciona seu rebento Y e os valores desta nova geração. E minha #trip acaba de chegar no #prontofalei: o que muita empresa grande teria que fazer e ainda nem começou. Quando esta postura de desconhecimento e desinformação vem de uma empresa, é triste. No caso de empresas grandes, inaceitável. #vergonha alheia

Para completar, esta semana recebi alguns comentários de post anterior que publiquei no blog Foco em Gerações, feitos por alguns representantes Y que trabalham em empresas onde a ficha do orelhão do século passado ainda não caiu nem foi devidamente substituída pelo chip do celular do Pedrooooooooo. Quando eu leio ainda hoje sobre empresas que ainda bloqueiam acesso interno às mídias sociais nos computadores de seus funcionários argumentando queda de produtividade me dá até calafrio.

Os profissionais nascidos a partir de 1980 é que vão epicentrar os negócios dos próximos anos. As empresas que não acordarem hoje vão virar sucata do Wall-E em um futuro não muito distante. Se você quer contratar e tirar proveito das competências singulares dessas criaturas Y, por favor, seu mundo corporativo deve estar atualizado. Reavalie os velhos conceitos. Não adianta querer o resultado de escutar Pitty no iPod se o aparelho de som da sua empresa continua funcionando como uma vitrola rolando LP do Trio Irakitan. A prova de que essa nova geração é “seca” por informação é a certeza que eu tenho de que, exatamente neste momento, os leitores Y desse post já abriram o YouTube e deram um search em “Trio Irakitan”, depois de um forte e caloroso “what?!” que soltaram mentalmente ao ler a frase anterior.

Não estou dizendo que o leitor X não se interessa em saber ou pesquisar. É na forma de pesquisar e funcionar que existe o conflito: a má interpretação desta multifuncionalidade Y é que gera o embate corporativo. Puro desperdício. De tempo, de energia e de dinheiro. Os gestores, os líderes e os chefes X deveriam tirar proveito destas características Y e atuar para minimizar os conflitos se quiserem garantir a sustentabilidade de seus negócios.
Para finalizar, indico aqui a leitura de outro post deste mesmo blog: “O que a idade tem a ver com isso?” de Silvana Avinami. É genial, super bem escrito e mostra que respeito vem com admiração e não pelo ano que a pessoa nasceu. É preciso respeitar as diferenças e somar visões distintas de mundos complementares.
O que é necessário para se construir relações maduras de trabalho não é idade. É comprometimento, ética, profissionalismo e, principalmente, cabeça e corações abertos. E quem não souber o que é isso, procure no Google.

Flavia Vianna é formada em comunicação social/publicidade pela FACHA-RJ. Trabalhou nas agências DPZ, JWThompson e Norton Rio. Foi sócia e diretora de criação da Via 4, agência que já faz parte do mercado carioca há mais de 15 anos. Hoje é sócia e diretora de arte da Trafor Comunicação, agência que, dentre outras contas, atua como parceira da Competence em Foz do Iguaçu no atendimento à Itaipu Binacional.

Disponível em: http://www.focoemgeracoes.com.br/index.php/2009/10/08/apertando-a-tecla-sap-entre-as-geracoes-x-e-y/

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O fabuloso poder das redes

Myrna Silveira Brandão


‘The social network’, de David Fincher (O curioso caso de Benjamin Button), teve sua première mundial no dia 24 de setembro na abertura para o público da 48ª edição do Festival de Nova York. O filme foi exibido numa sessão especial superlotada para a imprensa. Às 7 horas da manhã, uma enorme fila já dobrava o quarteirão do Lincoln Center para uma projeção que começaria às 9h. Embora houvesse uma grande expectativa para o filme, até os organizadores do NYFF estavam visivelmente surpresos com o tamanho da fila. Baseado no livro O Bilionário Acidental (The accidental billionaire), de Ben Mezrich, o filme aborda os bastidores da criação do Facebook e seu impressionante e vertiginoso crescimento.

A história começa em 2003 quando Mark Zuckerberg, então aluno de Harvard, coloca em prática uma nova ideia que culmina na criação da famosa rede social e o torna o mais novo bilionário da internet. O sucesso, no entanto, vem acompanhado de complicações pessoais e legais.

O livro inclui outros personagens que tiveram papel fundamental na criação do Facebook, entre eles o carioca Eduardo Saverin, amigo de Zuckerberg em Harvard. Saverin foi sócio do site, ajudou a viabilizá-lo, mas, segundo consta, quando o negócio começou a dar certo o americano o excluiu da sociedade e deixou a faculdade de Massachusetts para continuar o projeto.

Saverin, que viveu no Brasil até a adolescência, ficou em Harvard e se diplomou em economia. Ele conseguiu uma indenização cujo montante – como é destacado ao final do filme – nunca foi revelado e o direito de constar entre os fundadores da rede.

Zuckerberg é interpretado por Jesse Eisenberg e Andrew Garfield interpreta Saverin. O cantor Justin Timberlake também faz parte do elenco, vivendo o empresário Sean Parker, um dos criadores do Napster.

Na coletiva após a projeção, da qual participou o Jornal do Brasil, Fincher – que chegou acompanhado pelos atores Eisenberg, Garfield, Timberlake e pelo roteirista Aaron Sorkin – disse que não está simplesmente pegando carona numa trama e que o filme não é apenas sobre o Facebook. ‘Há uma história irônica por trás disso tudo que fala sobre amizade, poder, lealdade e a necessidade de se conectar com outras pessoas. O Facebook trouxe um contexto interessante para um drama fascinante e também ácido’ afirma.

Para Fincher, revoluções genuínas como a que ocorreu com o Facebook são recebidas de diversas maneiras. “Eu, por exemplo, sei de forma muito subjetiva o que significa ter 21 anos de idade, sentar numa sala cheia de adultos e ouvir que sua paixão por alguma coisa é ‘bonitinha’. Isso deixa qualquer um furioso. Normalmente o que acontece é que esse tipo de jovem decide tocar fogo nessa sabedoria convencional e leva seu projeto futurista em frente”, afirma.

Respondendo a uma ‘pergunta que não quer calar’ de um jornalista – até onde o filme é verdadeiro? –, Fincher disse que cada um pode tentar recriar cada detalhe. “A mim, no entanto, o que mais interessava era o ‘Rashomon’ da coisa (filme do diretor japonês Akira Kurosawa que apresenta várias versões para um mesmo fato). Nós não estávamos fazendo um documentário tipo JFK, mas sim um filme onde o ponto principal é que os garotos eram amigos, estavam no porão quando fundaram o Facebook e tudo que veio depois aconteceu no mezanino. O filme é como duas pessoas partem para fazer a coisa certa e no caminho verificam que não poderão completar a viagem juntos’, disse o diretor, enfatizando: ‘Isso é que é verdadeiramente importante”.

Quando foi novamente imprensado para opinar se o Facebook é uma coisa boa ou ruim, Fincher respondeu bem-humorado. “Eu acho que, como qualquer coisa tão flexível e tão poderosa, ele é obviamente as duas coisas. É como o celular, ele é bom ou ruim? – ainda bem que a gente o tem, mas não há dúvida de que o tempo que passamos com ele é excessivo”, comparou.

Sorkin ratificou que tudo começou porque havia um jovem à margem dos relacionamentos pessoais que queria desesperadamente pertencer a um grupo que não o aceitava como igual. “The social network’ é a trajetória de um hacker que se transformou num CEO, e acho que David (Fincher) teve um profundo entendimento para falar sobre ele. Um hacker é essencialmente um anarquista, que, no caso de Zuckerberg, traiu a si mesmo transformando-se num presidente de empresa bilionária”, diz Sorkin, que é muito mais um escritor literário do que um roteirista de cinema.

“Ninguém faz 500 milhões de amigos sem fazer vários inimigos, e isso acontece desde a antiguidade. Os temas do filme são tão velhos quanto a Bíblia – lealdade, amizade, poder, dinheiro, inveja, status social, ciúme. É uma história que, se Ésquilo – ou Shakespeare – estivesse vivo hoje, teria escrito. Para minha sorte, nenhum desses dois estavam disponíveis, e daí eu pude escrever o roteiro”, brinca.

Para Sorkin, Mark era movido por um sentido de solidão e autovalorização, e achava que o mundo estava abaixo dele. “Mas é preciso considerar que ele construiu uma coisa impressionante a partir do nada, enquanto as pessoas ao seu redor o julgavam um nerd e o faziam motivo de gozação”, lembrou.

Eisenberg disse que precisava fazer um personagem com que os espectadores, apesar de tudo, simpatizassem. “Eu quis ressaltar a dificuldade que ele tinha de se comunicar, o que certamente o torna mais interessante. E procurei também fazer dele uma pessoa plena, embora solitária”, disse o ator, revelando que se inscreveu no Facebook para ter um melhor entendimento de Zuckerberg.

Como a autoria do Facebook está envolvida numa teia de suposições, Fincher recorre a vários pontos de vista para mostrar a trajetória de Zuckerberg, seus amigos, inimigos e processos judiciais. “É um filme empolgante, conta uma história complicada de uma forma muito interessante. Há vários personagens dizendo que estão certos e, de certa forma, todos estão”, declara Eisenberg.

Garfield, que tem uma participação importante no filme, contou como se preparou para viver o brasileiro, que desde sua saída de Harvard tem evitado dar entrevistas. “Tentei personalizar Eduardo de uma forma indireta, buscando expressar tudo o que ele sentia”, disse o ator, que protagonizará Peter Parker no próximo Spider-Man, de Marc Webb.

De fato, o Facebook passou à marca de 500 milhões de usuários em julho último e é também objeto de outro livro: ‘The Facebook effect: The inside story of the company that is connecting the world’ (‘O efeito Facebook: Por dentro da empresa que está conectando o mundo’), de David Kirkpatrick.

Hoje pela manhã o noticiário da tevê aqui, que divulgava a abertura do NYFF, ressaltou que Zuckerberg havia acabado de doar US$ 100 milhões para escolas em Newark. Segundo previsão da Columbia Pictures, ‘The social network’ deve estrear no Brasil em dezembro.


Esse artigo foi anteriormente publicado no Jornal do Brasil.

Myrna Silveira Brandão é administradora, jornalista e socióloga. Trabalhou durante vários anos na Petrobras, no setor de Gestão com Pessoas, responsável pelas áreas de Avaliação de Treinamento, de Tecnologia Educacional e de Benefícios, entre outras. É autora dos livros ‘Leve seu gerente ao cinema’ e ‘Luz, câmera, gestão – a arte do cinema na arte de gerir pessoas’, ambos da Qualitymark Editora. Atualmente, assina a coluna ‘Filmes para uma reflexão corporativa’, na revista ‘Gestão & Negócios’, e realiza coberturas de festivais de cinema no Brasil e no exterior.

* Material do portal Nós da Comunicação, disponível em:http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=331&tipo=G

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comunicação convergente e os mitos da nova tecnologia

Redes sociais não existem. Ou, melhor, existem desde sempre. Pelo menos desde que os primeiros australopitecos estabeleceram relações afetivas e conseguiram demonstrar isso de maneira objetiva, segundo códigos que puderam ser apreendidos pelo grupo e reproduzidos sistematicamente. Talvez mesmo antes, o “elo perdido” já pudesse interagir – racionalmente – com os de sua espécie e com outras entidades do mundo físico.

O que não há é o advento da “rede social” enquanto decorrência do avanço tecnológico, das plataformas de troca de dados por meio dos sistemas digitais online. Esta definição, que internacionalmente consagrou o fenômeno dos espaços virtuais agregadores de pessoas (ou perfis) e que proporcionam a interação remota entre elas, é nada mais do que o exercício da capacidade humana do relacionamento, só que agora em um novo terreno midiático.

Claro que o Twitter, o Facebook, o Orkut e similares só foram possíveis por conta do amadurecimento tecnológico dos meios de comunicação. Mas o fato é que este avanço configurado no aumento do espectro de possibilidades gerado pela internet não é um acontecimento social – no sentido de exprimir o significado sociológico de relacionamento – mas simplesmente um amplificador de uma característica inerente aos seres humanos: comunicar e estabelecer relações de reciprocidade entre si e com as coisas do mundo.

Chamar estas plataformas de comunicação de “redes sociais” é, portanto, um pouco de exagero. Sem dúvida elas se prestam ao que trazem na nomenclatura, proporcionar o relacionamento entre pessoas. Mas não são, definitivamente, redes sociais: são, sim, espaços virtuais para o interação daqueles que utilizam tais meios como forma de encontrar outros membros do mesmo serviço. Ou seja, são mais um ambiente para colocar em prática o desenrolar, a evolução e constante modificação dos embates psicossociais dos integrantes destas redes – que não são tecnológicas, mas humanas.

E esta interação acontece nestes espaços, assim como acontece na rua, em supermercados, nas escolas, no trabalho. A internet criou apenas mais um palco para que pessoas encontrem outras. Certamente este novo campo tem suas especificidades e regras que permitem a ordenação semântica das mensagens trocadas e do relacionamento ali travado. Mas o mesmo acontece com todos os outros espaços da prática social.

No trânsito, por exemplo, precisamos interpretar um farol vermelho como o comando para parar; na internet, em algumas destas plataformas mencionadas, se eu não clicar em “adicionar contato”, não será possível dizer “oi” para a pessoa com quem quero me comunicar. Se não parar ao sinal vermelho, posso causar um acidente ou então receber uma multa; se enviar uma mensagem a um membro do Orkut sem adicioná-lo como contato e sem ter a certeza de que “tenho este direito”, posso ser ignorado ou até bloqueado por aquele a quem endereço a mensagem.

Existem milhares de possibilidades em um e outro sistema. O ponto é que cada um deles tem seus mecanismos de interação predeterminados. E todos que compartilham daqueles modelos devem seguir as respectivas estruturas de significação a fim de que seja possível a interação entre os membros.

Mecanismos de comunicação - O nome do meio, todavia, pouco importa. Chamar o Twitter de rede social não interfere na finalidade ou nas consequências de seu uso. Este exercício retórico, no entanto, se presta a uma análise mais cautelosa dos mitos que permeiam o estabelecimento das plataformas de comunicação e seu estudo.

A primeira conclusão a que se pode chegar é que as tais redes sociais não são em si um índice de evolução tecnológica (embora dependam dela, assim como dependeram todas os outros artefatos que suportam a comunicação, como o telégrafo e o telefone). São, em verdade, um item importante que denota a evolução dos mecanismos de comunicação.

O avanço da tecnologia proporciona a criação de novos braços, de novos tentáculos para a interação humana e amplificam imensamente a capacidade de profusão e absorção de informação. E seu o impacto não é sobre a tecnologia, mas sobre as estruturas de comunicação.

Em seu livro Cultura da Convergência, Henry Jenkins descreve de maneira muito didática e instigante este fenômeno. Seu argumento principal se baseia no rompimento de uma dos mais importantes lendas que circundam o progresso tecnológico, que é o das novas plataformas de comunicação suplantando as antigas.

Jenkins tem uma visão absolutamente pluralista e propõe que, diferente das profecias da extinção dos meios, o que deve acontecer é a convergência multimidiática dos mecanismos. Daí, conforme seu raciocínio, o estabelecimento de novos paradigmas de comunicação e a reinvenção dos suportes de mídia de maneira complementar e proporcionando novas significações técnicas e socioculturais.

Ou seja, ele entende que a televisão não vai acabar por conta da internet, assim como a internet não vai inventar um novo modelo de comunicação em vídeo: o acoplamento das duas propostas vai criar uma terceira via, com a possibilidade de novas ferramentas e de mecanismos de interatividade. E isso, por sua vez, deve reconfigurar a maneira pela qual as pessoas se apropriam da comunicação em vídeo, vai determinar um novo modelo de raciocínio comunicacional e que, por fim, vai gerar impactos na economia, na arte, nos modos de consumo e no relacionamento entre pessoas e o mundo como um todo. Como explica Jenkins, “a convergência das mídias é mais do que apenas uma mudança tecnológica. A convergência altera a relação entre tecnologias existentes, indústrias, mercados, gêneros e públicos. A convergência altera a lógica pela qual a indústria midiática opera e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento.”

Na apresentação do mesmo livro, o produtor Mark Warshaw nos traz outra reflexão sobre a mudança de paradigma no consumo de informação e entretenimento. E ironiza o discurso apocalíptico dos entusiastas das tecnologias midiáticas (aqueles que entendem o avanço da mídia enquanto tecnologia, não como fenômeno determinante das relações sociais):

O comercial de 30 segundos morreu. A indústria fonográfica morreu. As crianças não assistem mais à televisão. As velhas mídias estão na UTI. Mas a verdade é que continuam produzindo música, continuam veiculando o comercial de 30 segundos, um novo lote de programas de TV está prestes a estrear, no momento em que escrevo estas linhas – muitos direcionados a adolescentes. As velhas mídias não morreram. Nossa relação com elas é que morreu. Estamos numa época de grandes transformações, e todos nós temos três opções: temê-las, ignorá-las ou aceitá-las.

O interessante da observação de Jenkins é a paulatina reinvenção dos meios. Ele fundamenta seu raciocínio na relação entre três conceitos basais da comunicação contemporânea, que pautam toda a avaliação sobre os casos práticos apresentados em sua obra: a convergência dos meios, a cultura participativa e a inteligência coletiva.

A convergência dos meios - Por convergência das mídias, Jenkins toma a expressão da informação em múltiplos suportes. Ele dá um exemplo bastante pitoresco: a associação de Osama Bin Laden com um personagem de Vila Sésamo, decorrente da brincadeira de um jovem norte-americano.

A montagem feita pelo adolescente percorreu o mundo em diversos formatos e com diferentes finalidades. Foi descoberta na internet por um militante islâmico que, sem conhecer o verdadeiro sentido da brincadeira e mesmo o tal personagem da TV, estampou a imagem criada pelo americano em faixas de protesto. Tais cartazes foram filmados pela CNN e voltaram ao ocidente em forma de matéria jornalística transmitida pela televisão. Os criadores da série Vila Sésamo execraram a ligação indevida do personagem com o terrorista e ameaçaram entrar na justiça (sabe-se lá contra quem).

Cultura participativa - Cultura participativa, conforme o professor Jenkins, é a interação dos atores sociais envolvidos no processo de comunicação, como emissores e receptores das mensagens e atuando em papeis distintos, em diferentes situações – e variando esta atuação indefinidamente tanto quanto assumem diferentes papeis sociais.

É o caso de um executivo de uma empresa, que em determinado momento é telespectador, noutro, formador de opinião, num terceiro, pai de família e que interage com a professora de seus filhos numa reunião escolar. Esta professora também é mãe, tem seus filhos na mesma escola (e são colegas dos filhos do executivo), e consumidora crítica, quando, em dado momento, posta na internet comentários sobre um produto que, por acaso, é a marca líder da empresa na qual o pai de seu aluno é diretor de marketing.

Inteligência coletiva - Finalmente, se apropria do termo “inteligência coletiva”, cunhado pelo teórico francês Pierre Levy, para definir a malha amorfa de informação e conhecimento que é resultado da confluência do pensamento e da participação de muitas pessoas, em ambientes diversos e com propósitos não necessariamente relacionados.

É o grande “banco de dados” coletivo que possibilita o armazenamento e a troca de informação infinita sobre qualquer tema em qualquer lugar. Ele explica que isso acontece porque ninguém pode saber tudo: cada um de nós sabe alguma coisa. Juntando-se estas peças temos a inteligência coletiva. A internet é o advento da comunicação capaz de elevar este sentido a sua milésima potência.

Unindo-se o tripé proposto por Jenkins, temos as bases da comunicação de hoje, num mundo guiado pela renovação infinita dos meios e dos conceitos. E aqui volto ao assunto das redes sociais. Não seriam elas muito mais mecanismos convergentes de interação do que propriamente redes? As ditas redes sociais, na verdade, são alguns dos alicerces que sustentam este novo modelo de comunicação.

Os Twitters, Facebooks e Orkuts, são, sim, as expressões mais nítidas e propositoras da realidade mais atual da convergência midiática. É aí que está a beleza e a riquíssima contribuição destas plataformas: ser o ambiente que proporciona o relacionamento humano em perspectiva multimídia, com a possibilidade de criação e reconfiguração dos discursos e da própria cultura num plano mediado em constante transformação. É o espaço da revisita, da releitura, da paráfrase de si e dos outros e o resultado da ação de muitas mãos.
(Texto de Gustavo Schor, gerente de comunicação do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, jornalista e especialista em Jornalismo Econômico, publicado no WebInsider)
*Material do RP em Ação n.208/10 - Ano XIV - outubro - e-news do portal Mundo RP

sábado, 2 de outubro de 2010

ENDOMARKETING COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÂO COM OS EMPREGADOS

Regina Stela Almeida Dias Mendes

Com a globalização, o foco da empresa deixou de ser o produto e passou a ser o cliente externo e o interno (empregado). As pessoas são o grande fator que faz a diferença na concorrência entre as organizações. Comprometimento e qualidade dos profissionais são essenciais nesse contexto.

Desde os anos 90, motivação, alinhamento e comprometimento com os objetivos organizacionais são os atributos desejados em todas as organizações. Conhecer seus empregados, seus anseios e o que o leva a motivá-los e a se comprometerem inquietam muitos líderes e gestores de RH. Cada vez mais as organizações se voltam as questões de motivação de seus empregados, pois a eficácia e o desempenho positivo estão diretamente ligados a motivação. “É fácil perceber por que a motivação é tão desejável no trabalho”.

Esta afirmação é de Hendrie Weisinger, em seu livro “Inteligência Emocional no Trabalho” (2001). Segundo ele, um empregado motivado requer menos controle, tem uma produtividade consistente e tende a ser mais esforçado e criativo.

É sabido que a motivação é o carro chefe para o alinhamento e o comprometimento. Como, então, conseguir empregados motivados? Para que a organização tenha empregados motivados ela precisa “vender” sua visão de negócio. O compromisso só acontece quando o empregado compartilha dessa visão e o crescimento da empresa significa o seu próprio crescimento. O instrumento por excelência para que isso aconteça é o Endomarketing. Apoiado na comunicação, Endomarketing é um processo que envolve troca de informações ou informação com o público interno.

Uma organização que deseja motivar seus empregados deve comunicar sua missão, visão e seus valores. A comunicação é o que abastece a motivação. Os canais de relacionamentos e comunicação intensos despertam compromissos e geram resultados. As pessoas são resistentes em se engajar em algo que não se identificam, que não conheçam ou em que não acreditam. Quando as pessoas sabem para onde vão ou se desejam ir, e ainda, o que se esperam delas, são menos resistentes. A transparência na comunicação é o atalho para a construção da credibilidade nos relacionamentos.

Endomarketing – marketing para empregados - surge como uma ferramenta para auxiliar nos esforços de marketing de uma organização a partir da mobilização de seu público interno. Bekin (2004) então, propõe levar o marketing para dentro da empresa, através do Endomarketing para comunicar os objetivos da empresa e alinhá-los aos empregados.

A atmosfera coletiva do ambiente de trabalho está relacionada as atitudes, percepções e dinâmicas que afetam em como as pessoas se comportam diariamente. As empresas devem procurar sempre descobrir o que motiva ou desmotiva seus empregados a trabalhar com maior produtividade e objetivando competitividade. Devem identificar o potencial das variáveis como agentes de motivação e saber usar inteligentemente a comunicação interna em favor da motivação. Não necessariamente o sucesso de algumas empresas está atribuído a um bom clima organizacional, mas um clima ruim certamente impede o sucesso. A comunicação tem um papel fundamental na construção de um ambiente de trabalho agradável.

A receita para se obter o alinhamento desejado é comunicar, falar, falar, falar e disponibilizar meios para ouvir sempre seus empregados; para que desta forma os empregados possam se engajar nos planos e programas da empresa. Sendo assim, todos crescem e fazem com que a empresa cresça junto. Tão ou mais importante que a comunicação voltada ao marketing externo, a organização necessita também usar a comunicação para fazer marketing para seus empregados. O empregado deve ser visto como o seu primeiro cliente - o cliente interno, que estando satisfeito, estará apto a satisfazer os clientes externos. Essa é a proposta do Endomarketing. A empresa deve desenvolver esforços para tal. Nesse caso, a comunicação é essencial para a empresa vender-se aos seus empregados. Tratar o funcionário como Cliente, conferir-lhe dignidade,responsabilidade e liberdade de iniciativa são componentes importantes para se desenvolver empregados motivados e comprometidos com a empresa.

A maioria das reclamações ou da insatisfação de funcionários está ligada à falta de informação e comunicação. Bekin (2004) apresenta dez pontos de questionamentos necessários para se cultivar o ambiente onde o empregado é o primeiro Cliente. Basicamente estão ligados à informação e comunicação que levam à motivação, e conseqüentemente, ao processo de satisfação dos empregados:

1. A alta direção da empresa está empenhada no trabalho orientado para o cliente e para a valorização dos funcionários;
2. A gerência está comprometida com essa visão e possuí capacidade de liderança, transmitindo aos funcionários responsabilidade, vontade de participação e capacidade de iniciativa;
3. O conhecimento é disseminado por todos os setores da empresa, tanto para integrar seus diversos setores quanto para estimular o potencial do indivíduo;
4. Os funcionários conhecem os objetivos da empresa voltada para o cliente e suas responsabilidades nessa linha de atuação;
5. Os funcionários conhecem as suas tarefas, sentem-se motivados e estão envolvidos em um trabalho de equipe que dá margem à iniciativa individual;
6. Os treinamentos são realizados constantemente, quer no aspecto técnico, quer no reforço de valores e atitudes;
7. Os processos de avaliação são transparentes, informando corretamente o principal interessado: o funcionário;
8. Há um permanente processo de informação e comunicação, configurando o livre acesso à informação e à capacitação de todos;

9. O processo de comunicação tem o modelo da ‘mão-dupla’, o que permite que os funcionários revelem suas necessidades e expectativas;
10. O atendimento às expectativas e às necessidades dos funcionários,

Com base em critérios claros e nos objetivos da empresa, gera um ambiente de confiança mútua e alta eficiência. Como já mencionado, as empresas têm que desenvolver meios para “vender-se” aos seus primeiros Clientes – seus empregados. Se os bens ou serviços, campanhas de comunicação externas não conseguem ser vendidos ao público interno, o marketing estará fadado a ser mau sucedido junto aos Clientes finais. Grönroos (1995) é pleno quando coloca que “um serviço eficaz requer pessoas que compreendam a idéia”. É necessário,portanto que todos dentro de organização além de compreender, vivenciem o negócio.

Grönroos (1995) coloca que, além do gerenciamento de atitude, muito importante no Endomarketing, o gerenciamento da comunicação não é de menor relevância. Todos de uma empresa necessitam se prover de informações para exercerem bem suas funções. Essa comunicação deve ser um veículo para disseminar claramente os objetivos, planos e visão da em resa, bem como as características dos produtos ou serviços oferecidos, campanhas publicitárias, etc. Para se obter feedback de Clientes – suas expectativas e percepções - é necessária uma comunicação constante entre empresa-empregados. A comunicação voltada para o Endomarketing deve acontecer a todo instante.

Existem vários meios de formalizá-la e organizá-la através de reuniões, jornais, vídeos,exposições, seminários, murais, painéis. Seja qual for o meio, deve se dar à comunicação os mesmos cuidados e atenção ou até maiores que a comunicação produzida para o marketing externo. “O marketing interno deve sobrepor o marketing externo” (Kotler,2003). Sem conhecimento não há integração; sem integração não haverá qualidade; sem qualidade não haverá sucesso.

Na empresa, a comunicação interna eficaz é elemento decisivo de infra-estrutura voltada para serviços de qualidade. A falta e/ou a má qualidade da comunicação em todos os níveis dentro da empresa contribui muito para um serviço não confiável. A comunicação que se busca com o Endomarketing transcende a comunicação tradicional de apenas transmitir algo. O que se busca agora é entendimento. Todos devem entender o quê e porquê estão fazendo e como seus resultados se relacionam aos dos outros e aos objetivos gerais da empresa. “Em suma comunicação é informação com feedback” (Bekin, 2004).

A cultura de serviços, uma vez disseminada e aplicada pelo instrumental do Endomarketing contribui para uma estrutura funcional e eficaz. As empresas que se comunicam sistematicamente com seus empregados conseguem fidelizá-los. Em meio às turbulências, empregados fiéis são motivados e mobilizados a lutar pela empresa para vencer a crise ou conduzi-la ao topo. Equipe motivada e comprometida permite respostas mais rápidas à retomada do crescimento.

O processo de comunicação visando o alinhamento dos objetivos é viável a toda e qualquer organização. Seja ela grande, média ou pequena. Mesmo porque, a comunicação em empresas menores é mais fácil e rápido.

Em se tratando de Endomarketing, em uma empresa pequena o que é menos é mais. Não existe empresa perfeita. E nem deveria. Na verdade não se deve haver uma busca para a perfeição, mas sim para a excelência. Ser hoje melhor que ontem.

Material retirado do site www.endomarketing.com, disponível em:http://www.endomarketing.com/diversos/artigo_publico_interno.pdf

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Concurso CASAL 2010


Olha não vou publicar o edital da CASAL (Companhia de Saneamento de Alagoas), por que o acho abusivo. Os conselhos de profissionais precisam ficar de olho nesse tipo de coisa.

COMO SE LANÇA UM CONCURSO PARA UM CURSO SUPERIOR E NÃO SE RESPEITA SEU PISO SALARIAL??????