"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Redes sociais e ambiente corporativo: sonho ou realidade?

Renata Santiago


Alice

Tranquila e confortável em sua rotina, a empresa Alice tocava, de vento em popa, seu rentável negócio. Demandava e emitia informações somente quando necessário, usufruindo de uma reputação intacta de mais de 20 anos de atuação. Seus funcionários, clientes e demais públicos com quem se relacionava consumiam uma gama de informações prontinhas, criadas por um longo e demorado processo de redação, avaliação, publicação e tempo. Nada melhor do que ‘deixar estar’.

A toca do Coelho

Passaram-se alguns poucos anos, e Alice se viu em um meio global, recebendo informações em tempo real. Espantou-se com guerras na TV, fúrias climáticas e repercussões intermináveis dos fatos.

Um pouquinho mais à frente, o susto: Alice cai na toca do Coelho e se dá conta que tempo e espaço agora se foram. Que local e global podem estar juntos. É uma dimensão fluida. Está imersa em meio a um turbilhão de informações que transitam numa velocidade incrível, produzidas por todos. É sonho ou realidade? Onde está Alice?

Alice no país das maravilhas

Muito educada e cautelosa, Alice transita pelo país das maravilhas e, a cada passo, uma surpresa. “Estou atrasado, atrasado”, repete o coelho Twitter. São mais de 20 milhões de usuários no mundo, trocando posts ininterruptamente. Notícias já não são mais novas ou quentes. Alice conhece o coelho Twitter, mas segui-lo é sempre impossível. Parece estar sempre a vários passos.

Apesar de todos os avisos, Alice entra no Reino das Redes Sociais. As cartas estão na mesa: LinkedIn, Orkut, Facebook, Youtube. Qual carta escolher? Qual jogo fazer? Lidar com essas cartas que interligam, representam e expressam milhões de pessoas mundo afora não estava nos plano de Alice.

Sem ter para onde correr e sem respostas, restou a Alice enfrentar a impiedosa Rainha das Redes Sociais. Implacável e munida da força da colaboração, a Rainha demanda que Alice pense, adapte-se, aja. Mas Alice continuou confusa e recebeu o inegável: “Cortem-lhe a cabeça!”.

Sonho ou realidade

A história de ‘Alice nos país das maravilhas’ é um excelente pano de fundo para a apimentada discussão sobre a aplicação de redes sociais e demais iniciativas web 2.0 nas corporações. Já enraizados na sociedade, os ambientes 2.0 fazem parte da rotina de crianças, adolescentes e adultos, atribuindo um novo significado para o verbo relacionar. Contudo, essa realidade ainda é pouco aplicada nos ambientes corporativos e, em muitos casos, os entraves estão nas lideranças que ainda temem tomar a poção para entrar na toca do Coelho.

A realidade

Uma pesquisa apurada, e que gerou o livro ‘Gestão 2.0’, do PhD José Cláudio Terra e colaboradores, revela duas realidades corporativas: diversas empresas globais já tornaram realidade a utilização da web 2.0 para melhorar a produtividade de seus processos e a forma de seus funcionários trabalharem. Por outro lado, algumas não estão preparadas para implantar modelos de negócios colaborativos, pois ainda vivenciam práticas de liderança engessadas por comportamentos controladores e ameaçadores.

Mas as empresas que já adotam iniciativas colaborativas no exercício da liderança caminham para uma vantagem competitiva importante: o capital de relacionamento, voltado para a reputação, confiabilidade e gestão de redes. As principais contribuições da utilização de ferramentas web 2.0 no exercício da liderança são:

- maior velocidade na geração de conteúdo para comunicação da liderança;

- maior interatividade e transparência na comunicação, com a publicação de comentários;

- minimização das barreiras entre lideranças e demais funcionários da empresa;

- diversidade de canais no mix de comunicação, possibilitando a criação de meios mais dirigidos;

- alinhamento estratégico, cultural e institucional;

- mensuração quase imediata das ações tratadas no ambiente colaborativo.

Fim?

O futuro da cibercultura na sociedade e nas empresas ainda é incerto. Mas a aplicação de suas ferramentas de relacionamento, alinhadas aos objetivos de negócio e implementadas corretamente, pode transformar a rotina corporativa de maneira infinitamente positiva. É certo que crescer dói. Portanto, se há dificuldade de escolher qual obstáculo enfrentar e como, reúna sua equipe, especialistas, consultores e todos que desejem construir uma cultura digital produtiva para a empresa. Lembre-se: colaboração é a chave para o desenvolvimento e o sucesso das iniciativas 2.0.

E aos profissionais de comunicação, o alerta. Um desafio que precisa ser enfrentado, e que tem participação crucial das equipes de comunicação interna, é a sensibilização e orientação da liderança quanto a sua dedicação e seu comprometimento para o sucesso da iniciativa digital escolhida. Mas isso também é outra história!


Renata Santiago é consultora em comunicação, gestão de mudanças e do conhecimento na TerraForum. É bacharel em comunicação social – relações públicas, especialista em marketing (FGV) e pós-graduanda em Gestão integrada de comunicação digital (USP).
Contato: renata.santiago@terraforum.com.br


*material do portal nós da comunicação, disponível em:http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=225&tipo=G

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sindicato defende filiação de jornalistas sem diploma que exerçam a profissão

Izabela Vasconcelos, de São Paulo


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo anunciou, em nota oficial, que pretende filiar jornalistas sem diploma, mas que exerçam a profissão. A proposta deverá ser discutida com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

A entidade defende que, diante do fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, os sindicatos devem assumir uma posição unitária sobre o assunto. “Encarar esse problema é uma responsabilidade que todo dirigente deve assumir e uma posição unitária nacionalmente construída deve ser o objetivo (... ) Assim, é preciso discutir seriamente a questão da sindicalização sob as novas regras e responder aos novos desafios que a decisão do STF impôs ao movimento sindical dos jornalistas”, diz o texto.

O presidente do Sindicato, José Augusto Camargo, enfatizou que a nota é apenas uma proposta, que deverá ser discutida. “Essa é uma posição da diretoria do sindicato, não está em vigor. Ainda vamos discutir com a Fenaj, que orientou os sindicatos a debaterem propostas”. A reunião com a Fenaj deve acontecer no próximo mês, nela a entidade avaliará as sugestões.

O sindicato defendeu a regulamentação da profissão e a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que reestabelece a obrigatoriedade do diploma superior de jornalismo, mas enfatiza que a entidade deve lutar pela categoria e pelas condições de trabalho de toda classe.

“Outro ponto central em nossa reflexão é a compreensão de que a função básica de um sindicato é a defesa das condições de trabalho de uma categoria profissional diante da exploração patronal”.

O sindicato afirma que “qualquer posição adotada não pode negligenciar a necessidade da manter a dignidade da profissão e impedir que indivíduos procurem obter vantagens da condição de ‘jornalista’”.

A entidade defende que, de acordo com seu Estatuto, a categoria deve ser organizada. “Concluímos que cabe ao Sindicato organizar toda a categoria profissional tal como ela é neste momento, trabalhando pela filiação de todos os profissionais, diplomados ou não-diplomados, que efetivamente exerçam a profissão de jornalista, unificando a categoria em defesa dos direitos, contra a precarização e o abuso das empresas”.

A nota diz que o sindicato luta para reconquistar a formação específica, mas que o momento é de união da categoria.“Chegou a hora de superar a divisão e construir, juntos, o futuro quando, em razão da luta, reconquistaremos formação específica, nova Lei de Imprensa e novos órgãos reguladores, sepultando definitivamente a precarização da profissão.

disponível em:
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D54986%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D107416785025%26fnt%3Dfntnl

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vídeo Releases

Gente isso é novidade para mim...ameiiiiii

dani


O guia ‘Tricks of the trade’ (Truques do ofício, em tradução livre), publicado na PR Week, orienta de que forma os comunicadores devem utilizar os vídeos-releases para divulgar ideias, notícias, novas soluções e novos produtos. Uma das dicas do manual é, no mínimo, curiosa: dizer a verdade aos receptores do conteúdo – produtores de emissora de televisão, por exemplo – informando, entre outras particularidades, que o produto tem fins promocionais.

Trata-se, portanto, de um grande desafio para os profissionais de comunicação, acostumados, em muitas situações, a enviar conteúdos aos jornalistas sem alertá-los sobre o devido objetivo comercial ou estratégico das mensagens. Sinal de novos tempos nas assessorias de imprensa?

Talvez. Mas um movimento é claro: o vídeo-release vem transformando informes em imagens (mais amigáveis); agregando ainda mais credibilidade às fontes e ao trabalho dos divulgadores. Um exemplo, comentado pelo ‘Tricks of the trade’, é o do Glow, o perfume da Jennifer Lopez 1. O vídeo-release, protagonizado pela atriz, destacou Jennifer como uma mulher latina e uma das mais bonitas do mundo, de acordo com a revista ‘People’. A história ganhou destaque em diversos canais, como E!, Extra e VH1. Bingo! Um produto calcado no novo tripé jornalístico: entretenimento, prestação de serviço e informação, que resultou um ROI formidável.

Outro case interessante foi o do ‘Guinness World Records 2009’ 2. O lançamento do produto foi informado também via vídeo-release, com a apresentação de algumas das histórias do livro, como a do motorista de carro que consegue andar somente em duas rodas por um bom tempo.

Com a mesma proposta, o lançamento do Pontiac G8 3 contou com um vídeo-release, protagonizado pelo rapper 50 Cent, que customizou um dos sedãs. A ideia, muito criativa, foi mostrar, justamente, que o veículo pode ter pintura personalizada e diversos acessórios e detalhes.

Os cases do ‘Guinness World Records 2009’ e do Pontiac G8 são mais dois exemplos de vídeos-releases focados no tripé jornalístico e, com isso, corroboram a nova máxima das assessorias de comunicação: as simples ideias, se bem executadas, podem se eternizar!


1. http://www.youtube.com/watch?v=oW-D-cA1It4

2. http://www.youtube.com/watch?v=d-C7URrOj0k

3. http://www.youtube.com/watch?v=TcyeIHEqPf8


Rodrigo Capella é assessor de imprensa desde 2002. Formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e pós-graduado em jornalismo institucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Autor, entre outros, de ‘Assessor de imprensa – Fonte qualificada para uma boa notícia’.

*material do portal Nós da Comunicação. Disponível em:
http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=219&tipo=G