"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dominique Wolton analisa a comunicação na era digital

Marcos Moura


Os veículos de comunicação continuarão coexistindo como nos dias de hoje. A afirmação é do francês Dominique Wolton, doutor em sociologia e diretor do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) em Paris. O pesquisador foi o convidado principal do debate ‘Elogio dos meios de comunicação: séries e criação de universos concomitantes’, dentro do VII Encontro Internacional de Televisão. O evento foi realizado na manhã de sexta-feira, 13 de novembro, no teatro Arte Sesc, no Rio de Janeiro.

Com a experiência adquirida em três décadas de pesquisas na área, Wolton não acredita que a televisão desaparecerá por conta da capacidade da internet em aglutinar funcionalidades.

“Há 30 anos ouço que a televisão vai morrer. Temos quatro e meio bilhões de aparelhos de TV em todo o mundo. A TV segue sendo o grande veículo de massa e segue confiável em todos os lugares. A TV bem-feita representa todas as classes, é um elo entre as pessoas. Cria uma cultura média, ligando meios sociais diferentes e fazendo todo mundo compartilhar”, disse o pesquisador, que comanda o Laboratório de ‘Informação, Comunicação e Implicações Científicas’ do CNRS. Ele citou a Rede Globo como um exemplo a ser seguido em todo o mundo.

“Interesso-me pelo caso da Globo, que tem uma força esmagadora no Brasil, mas tem muita qualidade. É dominante, tem o monopólio, mas integra serviços públicos e é sensível à sociedade”, falou.

Wolton não tem dúvidas de que os veículos de comunicação que dispomos hoje continuarão existindo. O estudioso critica os que afirmam que a internet será dominante e que a convergência levará ao desaparecimento dos aparelhos de TV. “O homem se comunica tão mal que há 130 anos cria novas técnicas de comunicação. E nenhuma delas foi destruída nessa evolução. Existia o livro, criou-se a imprensa, o rádio, a televisão, a internet... O que temos hoje é um empilhamento de técnicas. Dizer, por exemplo, que o livro morrerá é uma burrice tecnológica. O livro estará presente no ambiente digital, mas continuará existindo no papel. Temos a necessidade do toque. A TV existe há 70 anos, e é muito pouco tempo para dizer que acabou como técnica de comunicação”, explicou.

O sociólogo confere uma parcela de culpa aos intelectuais pela teoria de que a TV será extinta para triunfo da internet. “Os intelectuais detestam mídias de massa, apesar de gostarem de aparecer nelas. Eles supõem que o público da TV é idiota, é um receptor passivo e manipulável. Eles se consideram superiores porque criticam, enquanto o público, não. Hoje, se busca reduzir a mídia de massa em busca da mídia individualizada. Fala-se do sucesso da internet justamente porque a inteligência estaria na lógica da demanda, enquanto, na TV, está na da oferta, da passividade”, salientou.

Wolton também fez um paralelo entre televisão e democracia. “Muitos falam que não gostam da TV, mas não vivem sem ela. Criticar um programa não quer dizer criticar a TV. É como a democracia, que é cheia de falhas, mas não há coisa melhor do que ela”, ponderou, assinalando na sequência o que considera falta de respeito pela “cultura de televisão”.

“O cinema é respeitado justamente por causa da ‘cultura cinematográfica’. A TV precisa ter sua cultura respeitada, afinal de contas, é uma cultura de 70 anos. Por exemplo, apesar das imagens da TV estarem em outras plataformas, é a cultura de TV que as produz, e não a informática ou as telecomunicações”, argumentou.

O constante avanço tecnológico também foi abordado pelo pesquisador, que acredita, no entanto, que as funções elementares de cada veículo continuarão a ser dominantes. “No futuro, poderemos fazer tudo pelo celular. Mas ele continuará sendo essencialmente um meio para a comunicação entre as pessoas. A maior importância dele continuará sendo as pessoas dizendo para as outras ‘onde você está?’ ‘o que está fazendo?’, ‘te amo’, ‘beijos’”, completou.


* texto muito bom sobre a discussão da permanência das mídias antigas no atual contexto da comunicação.

Danielly Cabraíba

** texto disponível no portal Nós da Comunicação em: http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=271&tipo=R

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Proposta que exige diploma para jornalistas é aprovada na CCJ da Câmara

Começam as vitórias do bom senso...

abs,

Danielly Cabraíba


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou na manhã de hoje a Proposta de Emenda à Constituição 386/09 que restabelece a exigência do diploma de jornalista. A Câmara vai criar agora uma comissão especial que terá prazo de 40 sessões para analisar o texto, de autorida do deputado Paulo Pimenta. Para ser aprovada, a proposta terá que ser votada em dois turnos no Plenário. Já no Senado, o presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), pediu vista coletiva. A PEC, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), deve voltar à pauta daqui a 15 dias.

Valadares quer aproveitar esse tempo para, junto com o deputado Pimenta, elaborar um mesmo texto, que vai correr na Câmara e no Senado. “A idéia partiu do deputado Paulo Pimenta. Vamos fazer uma redação só na Câmara e Senado. Ele vai alterar o texto dele, eu o meu, e ficarão iguais. Queremos encurtar caminhos. Até as vírgulas serão iguais”, avisa.

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas, Sérgio Murillo, está contente com o resultado na Câmara, mas diz que não é hora ainda de comemorar. “Essa é a primeira batalha de uma longa guerra. A Câmara deu um atestado de constitucionalidade ao diploma. Mas não podemos nos iludir proque tem muito trabalho pela frente. Para fazer uma mudança constitucional precisamos de 2/3 do congresso favorável, o que não é fácil. Mas o resultado está sendo bom. A casa responsável pela elaboração da Constituição não identifica conflito entre o princípio da liberdade de expressão e a exigência do diploma, como entendeu o Supremo Tribunal Federal”, disse.

Notícia da Redação do Portal Comunique-se

domingo, 8 de novembro de 2009

Marketing de Guerrilha

O marketing de guerrilha é uma das técnicas de propaganda que cada vez mais ganha destaque. Com custos mais baixos do que os da propaganda tradicional, pode ser uma boa alternativa de divulgação para empresas com recursos financeiros limitados.

A idéia é semelhante aos "factóides" popularizados por um ex-prefeito do Rio de Janeiro. O objetivo é mostrar sua marca gerando eventos que possam ganhar espaço nos noticiários ou atrair a atenção direta do público alvo sem pagar espaços publicitários nas mídias tradicionais como rádio, televisão, jornais e revistas.
Uma reportagem da tradicional revista inglesa "The Economist" traz alguns exemplos interessantes de idéias usadas na divulgação de alguns sites. Em Nova York, por volta de oito mil carteiras foram espalhadas nas calçadas de Manhanttan. Ao invés de dinheiro, cheques ou documentos, os curiosos de Nova York encontraram dentro das carteiras um cartão com uma mensagem e o endereço do site CharityCounts.com, criado para receber doações para instituições de caridade.

No ano passado, um comboio de 20 carros amassados e soltando fumaça se arrastaram por ruas de Nova York e Los Angeles para promover o lançamento do Driver 2, um videogame de perseguição de carros. Mesmo as empresas tradicionais estão adotando este tipo mais ousado de propaganda. A Pizza Hut gastou U$ 1,25 milhões em um anúncio colocado em um foguete russo lançado ao espaço. A fronteira final também é tema de idéias meio malucas como transformar a Lua em um imenso outdoor usando projetores potentíssimos.

As "brincadeiras" e "factóides" estão sendo levados a cada vez mais a sério, pois de acordo com alguns especialistas, nos Estados Unidos, cada consumidor vê cerca de 1,5 mil mensagens comerciais diariamente. A crescente fragmentação causada pela quantidade excessiva de anúncios, diminui a eficiência de cada peça publicitária individualmente.

Outra vantagem do marketing de guerrilha, principalmente para as pequenas empresas, é o custo mais baixo. Distribuir brindes em locais freqüentados por seu público alvo, criar pequenos eventos para divertir e surpreender os futuros consumidores é infinitamente mais barato do que 30 segundos em horário nobre. Nas novas técnicas, a criatividade, ousadia, inteligência e planejamento são mais importantes que o dinheiro.

Mas, como sucesso de uma campanha de guerrilha depende de idéias originais, as besteiras são difíceis de ser identificadas antes de serem feitas. A Mattel, fabricante da Barbie, pintou uma rua toda de cor-de-rosa para promover a boneca. A ação, obviamente, irritou os moradores. Os consumidores sentiram que seu espaço foi invadido e o tiro saiu pela culatra. As iniciativas devem ser muito bem pensadas e realizadas com cuidado para passar sempre uma imagem positiva, fixando sua marca de maneira simpática e original.

* disponível em: http://br.br101.org/marketing-de-guerrilha.html



Selling Machine:
A Marca Tiger, para promover as suas novas sapatilhas “Onitsuka” cria este cenário. Quem diria! Uma Selling Machine nas ruas de Londres !















Marketing de Guerrilha realizado por um grupo de dentistas americanos. Campanha realizada para o Dr. John Mullaly, USA.

sábado, 7 de novembro de 2009

O mito antes do branding

Paulo Nassar


Grande parte dos produtos ofertados diariamente em lojas e supermercados resulta de pesquisas, que identificam as subjetividades dos desejos dos consumidores, é sintetizada em laboratórios de marketing, e vai conquistar a preferência de quem os leve para casa. A criação de marcas, na chamada sociedade dos sonhos, é fruto de muita estatística, observação, psicologia, comunicação e controle. A ação cerebral de ligar os prazeres da vida, da mesa, da cama, da beleza, ao ato de comprar é religião profana, que junta o mundano ao sagrado - e é chamada pelos sacerdotes do marketing de branding.

O filme "Coco antes de Chanel" (França, 2009), direção de Anne Fontaine, mostra um período da história do marketing em que era permitido algum tipo de aventura ou empreendedorismo no campo dos negócios. A estilista Gabrielle Bonheur Chanel (1883-1971), encarnada no filme por Audrey Tautou, nas primeiras décadas do século XX representava a pré-história da construção de marcas, em que as digitais do dono eram a sua representação.

A partir do final do século XVIII e também nos séculos XIX e XX com a massificação de produtos, alguns foram batizados com os nomes de seus criadores ou fabricantes: Arthur Guinnes, que fundou a sua cervejaria em 1759, ou Charles Goodyear (1800-1860), ou Henry Ford (1800-1860), ou Walter E. Disney (1901-1966), são exemplos de personalidades-marcas, com farto material para a criação de narrativas mitológicas.

Em uma sociedade hedonista e efêmera como a que vivemos, a maioria dos grandes protagonistas do negócio da moda tem combustível mitológico, que incendeia a imaginação de bilhões de consumidores e curiosos. Emerson, lembrado pelo publicitário norte-americano Sal Randazzo, disse que "se um homem escreve um livro melhor, prega um sermão melhor, ou faz uma ratoeira melhor do que o vizinho, mesmo que construa sua casa na floresta, o mundo abrirá uma trilha até a sua porta".

A história contada por Fontaine é uma trilha para uma Chanel mitificada e pouco documentada e passa longe das suas ligações com os nazistas, na França ocupada, durante a Segunda Guerra Mundial. Mito e lenda geralmente se dão bem. No filme, o material mitológico gerado pela vida de Chanel é constituído pelo que Joseph Campbell denominou de a trajetória do herói, um caminho cheio de desafios, transposto passo a passo, em direção a um destino glorioso, reconhecido, desta maneira, por toda a sociedade.

No caso de Chanel, sua superação de obstáculos - e por milhões de outras mulheres, que se reconheceram em seu estilo - está na exploração do arquétipo da mulher com aparência de menino: magra, seios pequenos, cabelos curtos e roupas folgadas, para serem usadas longe do espartilho. A dimensão privada de sua vida também alimenta a narrativa aberta, que caracteriza a edificação de mitos. Entre os muitos aspectos da Chanel celebridade, destaca-se a sua ligação com artistas de vanguarda, de cinema e também com gente graúda, na primeira metade do século passado. Tipos humanos que dão asas à imaginação para quem tem vida burocrática, aborrecida e adora marcas.

Copyright Terra Magazine 07.11.2009

* Texto interessante que li no site da Aberje, onde Nassar faz um paralelo da evolução da marca, através do filme " Coco antes de Chanel".

**Disonível em: www.aberje.com/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=44ID_COLUNISTA=28