"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Queira ou não a pessoa sempre se comunica

Por Patrícia Bispo entrevista com Márcia Rizzi para o portal RH.com.br


A comunicação é a mola propulsora do desenvolvimento humano. E isso pode ser facilmente percebido, basta apenas observarmos a forma como um recém-nascido diz para a sua mãe se está com fome, com sono ou com algum tipo de dor. Mesmo sem pronunciar uma única palavra, através da expressão facial, dos movimentos dos bracinhos, da intensidade que dá ao choro, a mãe é capaz de compreender o que o bebê deseja expressar. E a necessidade de continuar expressando suas necessidades, seus anseios e desejos acompanham as pessoas ao longo de toda a sua existência, inclusive quando essas se fazem presentes no ambiente corporativo. Se por um lado a comunicação é indispensável aos indivíduos, a ausência dela ou a falha no processo comunicacional tem sido apontada como uma das principais preocupações das corporações. E isso não é por acaso, afinal quando as pessoas não estabelecem uma comunicação eficaz as consequências impactam diretamente nas equipes e são perceptíveis pela queda do desempenho dos profissionais, bem como pelo comprometimento do clima organizacional. Para trazer esse relevante assunto à tona, o RH.com.br convidou Márcia Rizzi, coach, palestrantes e facilitadora de treinamentos comportamentais. Segundo ela, a comunicação ineficaz gera o retrabalho, os conflitos e os confrontos. "O coração da comunicação é o diálogo. O diálogo é essencial para a criação, o desenvolvimento e a manutenção de equipes", complementa, ao enfatizar que o diálogo é essencial para a criação, o desenvolvimento e a manutenção das equipes. Confira a entrevista na íntegra a seguir e aproveite a oportunidade para avaliar se você está sabendo estabelecer uma boa comunicação na sua empresa e até mesmo no campo pessoal. Boa leitura!

 RH.com.br - A senhora teve a oportunidade de estar à frente do gerenciamento de equipes e hoje atua como consultora. Conhecendo os dois lados da moeda, qual a sua percepção em relação à comunicação interna nas empresas brasileiras?

Márcia Rizzi - Tanto na empresa onde trabalhei por 25 anos, onde tive a oportunidade de estar junto de excelentes equipes, quanto na consultoria, que nos permite contato com inúmeras organizações, percebo claramente como cresceu a importância dos relacionamentos, independente da posição hierárquica. Falar em relacionamentos nos remete ao diálogo, à comunicação. A comunicação é apontada por inúmeros autores como o maior problema nas organizações. Quando falha gera retrabalho, conflitos e confrontos. O coração da comunicação é o diálogo. O diálogo é essencial para a criação, o desenvolvimento e a manutenção de equipes. Tenho a impressão de que todos nós pensamos que nos comunicamos bem, porém falhamos em algo que está presente em nosso dia a dia. A comunicação interna nas organizações brasileiras pode e deve ser aprimorada.

 RH - É expressivo o número de organizações que possuem uma linha de informação com os colaboradores, mão única, e acreditam que estabelecem uma comunicação satisfatória? 

Márcia Rizzi - Sim, nos deparamos com inúmeras organizações que ainda praticam o "manda quem pode, obedece quem tem juízo", fazendo com que a comunicação em mão única torne-se fator consciente ou inconsciente da insatisfação, da desmotivação e da baixa retenção de talentos. Sabemos que o diálogo de mão dupla gera comprometimento. Isso não basta por si só, porém é o ponto de partida para formar confiança. Gestores que ouvem mais conseguem melhores resultados em equipe.

 RH - A senhora costuma afirmar que "Queira ou não a pessoa sempre se comunica"?. O que isso quer dizer, na prática? 

Márcia Rizzi - Isso significa que nem sempre as pessoas estão conscientes de como se comunicam. Observe que há aqueles que passam a impressão de briga quando estão apenas conversando, outros falam alto demais, outros ainda não permitem que sua voz chegue a todos, apenas balbuciam. É bom observarmos que estamos sempre compondo a nossa imagem, para mais ou para menos, através da comunicação e de nossas ações. Se não estivermos atentos à mensagem que chega ao outro pode ser diferente daquela que pretendíamos gerando antipatias e até mesmo interferindo em promoções. Observe então, que conscientemente ou não estamos sempre nos comunicando. Por isso, fique atento.

 RH - Então, quem se mantém calado em uma reunião também passa sua mensagem?

 Márcia Rizzi - Certamente. Se deveria falar e se omite passa a imagem e a mensagem de insegurança. No caso oposto, se fala demais, a imagem pode ser de prepotência, desequilíbrio e que pensa ser o dono da verdade. Entendemos que todos os que participam de uma reunião tem sua parcela de contribuição a dar, e o ideal é que o faça com equilíbrio e bom senso.

 RH - Mas, em determinados casos, o silêncio não se torna o melhor aliado? 

 Márcia Rizzi - Isso também é verdade. Porém, esteja atento à mensagem que você transmite com seu silencio e oportunamente fale.

 RH - Falar pelos "cotovelos" também não significa que uma comunicação eficaz seja estabelecida. Certo? 

Márcia Rizzi - É verdade também, falar em excesso causa mal-estar aos presentes, naqueles que tentam mas não conseguem abrir a boca. Monopolizar o tema é menos interessante que o diálogo, aposte nisso e desenvolva sua capacidade de ouvir e fazer perguntas abertas.

 RH - Existe um ponto ideal de equilíbrio? 

 Márcia Rizzi - O ponto ideal é aquele em que você fala e convida os demais a falarem também. Demonstre interesse na opinião dos demais. Esse ponto de equilíbrio entre o falar e o ouvir dependerá das pessoas envolvidas e do próprio ambiente corporativo.

 RH - A utilização de recursos tecnológicos como intranet, chats, e-mails agilizam o fluxo de informações numa empresa. Diante das facilidades oferecidas por essas ferramentas, a comunicação face a face tem sido deixada em segundo plano? 

Márcia Rizzi - A competição acirrada, a alta velocidade que predomina nas organizações aliadas ao enxugamento das equipes nos leva a utilizarmos de todas as ferramentas disponíveis para passarmos as necessárias mensagens. Neste aspecto, a tecnologia, se bem utilizada, é um grande aliado. Porém, há momentos que apenas uma conversa olho no olho surte os efeitos esperados, como no caso do feedback.

RH - Comunicação face a face nos remete a pensar em líderes. Em sua opinião, qual a grande dificuldade dos gestores em estabelecer um diálogo aberto com suas equipes? 

Márcia Rizzi - O desenvolvimento de habilidades de comunicação é de fundamental importância para o exercício da liderança eficaz. Um líder precisa que certas tarefas sejam realizadas por outras pessoas. Portanto, compartilhar conhecimento e ideias, transmitir com clareza o que é esperado de cada colaborador, inspirar e motivar, guiar e orientar, dar feedback, ouvir, são alguns dos aspectos que envolvem a comunicação entre gestor e colaborador melhorando a qualidade das entregas e resultados. A dificuldade pode estar na velocidade em que os resultados são exigidos de todos, nas múltiplas tarefas, nas muitas e longas reuniões e também no fato de não perceberem a importância da comunicação na construção de equipes e resultados significativos.

 RH - Algum recado final para as pessoas comunicarem-se melhor, seja no campo pessoal ou profissional? 

Márcia Rizzi - Simplifique a sua mensagem. O sucesso no casamento, nos relacionamentos em geral e no trabalho depende muito da eficácia da comunicação. Lembre-se, a comunicação não é apenas o que você diz, mas também a forma como você diz. Acredite no que você diz e pratique o que você diz. Isso passa credibilidade. Para conseguir maior comprometimento da equipe, ouça mais.

Disponível em: http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Entrevista/8242/queira-ou-nao-a-pessoa-sempre-se-comunica.html

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