"Em comunicação não basta focar o destino é preciso observar a ponte" Carlos Parente (Obrigado! Van Gogh)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Assessoria de Imprensa X Jornalismo

Aff, esse texto ia dá o que falar lá na pós....kkkkkkkkkkkkkkkk
O pessoal é meio irritadinho quando se fala em jornalista, assessor de imprensa...
Vi esse texto num blog, não tinha escrito nome do autor...mas entendo completamente, se eu escrevesse isso também não botaria...kkkkkkkkkkkkkkkk

O que me deixou mais fula, foram os comentários, tinha gente dizendo que o curso de comunicação social é uma falácia, que poderia ser uma especialização de 6 meses, pode??? Como considero isso ignorância, é totalmente sem comentários.

O texto segue abaixo e no fim tem o link para quem quiser lê os comentários, mas eu garanto aborrece mais do que o texto.

bjs a todos.

Danielly Cabraíba


Acontece muito. A pessoa se apresenta como jornalista e eu, antes inocentemente e hoje de propósito, pergunto:

"Pôxa, que máximo, pra que jornal você escreve?"

Quase sempre, a pessoa abaixa a cabeça, quase envergonhada, e responde um acanhado:
"Não, trabalho como assessora de imprensa..."

Então, por que se apresentam como jornalistas, oras? Será que é tão vergonhoso assim ser assessor de imprensa?

(Imaginem a cena:
"Oi, meu nome é João, sou professor."
"Que legal, onde você dá aula?"
"Ah, dou aula não, sou carpinteiro.")
Naturalmente, a resposta é simples: quem estuda Jornalismo quer ser jornalista, cobrir a eleição presidencial da França, escrever matérias especiais sobre a prostituição infantil, entrevistar ministros de estado e estrelas de cinema. O problema é que as faculdades de jornalismo formam trocentos novos "jornalistas" por ano e as vagas em jornais e revistas só fazem encolher: o menino que sonhou em ser correspondente de guerra tem que lamber os beiços de conseguir pagar suas contas em troca de cavar notinhas pra fábrica de cimento. E, mais humilhante ainda, babando o ovo dos jornalistas de verdade - logo aquilo que ele mais queria ser!

Outro dia, uma amiga assessora de imprensa que se apresenta como jornalista tentou me explicar que assessor de imprensa É jornalista, "claro que é, Alex, até o próprio sindicato diz que é!". Tinha acabado de escrever uma mega-matéria, com entrevistas e declarações e lides e tudo o que uma matéria tem que ter, para divulgar um evento no shopping center para o qual trabalha, e que o maior jornal de região tinha publicado ipsis litteris.

"Eu sou jornalista", disse ela, "porque o que eu produzo é exatamente a mesma coisa que um jornalista produz: matérias informativas e bem apuradas!"
Mais ou menos, né? O produto final ser ocasionalmente o mesmo não prova que assessor de imprensa é jornalista, pelo contrário: comprova apenas a decadência dos jornais. Um jornal digno desse nome jamais publicaria ipsis litteris uma matéria enviada por um assessor de imprensa - e todos fazem isso.

Teoricamente, beeeem teoricamente, quando um jornalista escreve uma matéria, ele está buscando a verdade dos fatos. Na prática, bem na prática, quando um assessor escreve uma matéria, às vezes a mesmíssima matéria, ele está buscando máxima exposição na mídia para a sua fábrica de cimento. Mesmo se a matéria acabar ficando igual, a diferença é monstruosamente grande. Aliás, é justamente essa diferença teórica - um buscando a romântica verdade, outro servindo ao mercado capitalista - que explica a percepção diferente de ambas as profissões:
"Claro que eu vou me apresentar como o romântico paladino da verdade, e não como o lacaio do capitalismo! O que os meus colegas de movimento estudantil pensariam?!"

Como cada um inventa para si a narrativa de vida que necessita para poder tolerar sua própria existência, não duvido que alguns até acreditem que estão tornando o mundo um lugar melhor à cada menção que cavam da sua fábrica de cimento.

Eu sou formado em História, mas nunca me apresentei como historiador. Sabe por quê? Porque não exerço a profissão. Será um critério tão difícil assim para os assessores de imprensa seguirem? (Aliás, nunca me apresentei pelo meu ramo de atividade ou pelo meu curso universitário, acho isso a coisa mais mesquinha do mundo! Faria mais sentido dizer: "Oi, meu nome é Alexandre, sou destro!")

Não estou criticando a profissão de assessor de imprensa. Se servir ao mercado fosse demérito, não sobraria profissão nenhuma pra se elogiar - inclusive os próprios jornalistas, esses (sic) paladinos da (mega sic!) verdade. Não existe problema algum em ser assessor de imprensa: quem parece que discorda são os próprios, que se apresentam como se fossem outra coisa! O que esse fenômeno nos revela é somente a baixa auto-imagem da categoria.
Imaginem o que pensaríamos dos neurocirurgiões se todos se apresentassem como obstetras?

"Oi, meu nome é Paulo, eu sou obstetra!"

"Ah, que mágico!, o milagre da vida!, quantos partos você já fez?"

"Er... quer dizer... na verdade, eu só opero cérebros... Mas ser obstetra é tão lindo, né?"(Reparem o cuidado que tive para citar duas especializações da mesma profissão, ou seja, no mesmo nível hierárquico. Se faço o exemplo com "enfermeiro" e "médico",. me lincham em praça pública. Aliás, vão linchar do mesmo jeito, querem ver?)

Nenhum comentário: