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Quando utilizar o twitter é informar e comunicar


Valérie Jeanne-Perrier



Twitter é uma marca específica da internet. Ele permite a construção de um perfil que possibilitará a gestão de modalidades de relacionamentos entre os atores sociais que integram o dispositivo, criado em 2006. O Twitter aparece como um dispositivo neutro. Ele não se posiciona enquanto mídia, mas se coloca como uma plataforma que permite as mais diversas interações, profissionais, pessoais, ou mesmo institucionais.

 Para os jornalistas, é alto o interesse na utilização dessa plataforma em formato de “rede social” – ou seja, enquanto um sintagma fixo, que designa, doravante, vários sites, baseando-se na lógica do “perfil” e de um espaço de expressão e de atualização online. O Twitter aparentemente permite que eles retomem certas atitudes características ao métier, facilitando e agilizando as modalidades da busca por contatos, a exposição de fontes interessantes, de comentários sobre as informações, bem como o acompanhamento das atividades dos colegas jornalistas. Contudo, na observação das práticas de jornalistas de vários países onde essa plataforma é acessível e não é controlada, um problema surge: ao mobilizar essa ferramenta, os jornalistas estariam diluindo as fronteiras entre uma lógica de informação e uma lógica de comunicação.

 Em vista da proximidade entre mensagens de teor distinto, dispostas a partir da escolha do formato enunciativo da linha do tempo (termo que remete ao ato de compreender o fluxo dos textos publicados nos espaços oferecidos pelo dispositivo a partir de um “perfil”), o estatuto a ser atribuído aos conteúdos é difícil de ser estabelecido. As posturas de comunicação – o que acontece, por exemplo, nos momentos em que o jornalista faz referência a eventos do veículo em que trabalha e recomenda programas da grade de programação – são sucedidos por tweets que apresentam posturas de informação – como, por exemplo, dispor as declarações colhidas durante a apuração de uma matéria ou em encontros com testemunhas.

 O acompanhamento sistemático de uma conta (no âmbito de uma observação participante sobre os usos jornalísticos da rede social) pertencente à NPR (National Public Radio), nos Estados Unidos, é reveladora dessa tensão reativada entre as práticas de comunicação e informação. Assim, as longas sequências de tweets observadas no perfil @acarvin, de Andrew Carvin, utilizam, por exemplo, o recurso do live-tweet, que consiste em sintetizar e retomar declarações selecionadas por ocasião de um evento que o jornalista não tenha necessariamente acompanhado. A publicação dessas sequências não permite introduzir um olhar crítico sobre o assunto, pois os tweets não devem ultrapassar 140 caracteres. A linha do tempo produzida pelo jornalista pode, nesse caso, ficar parecida a uma simples reprodução de declarações feitas por outras pessoas. É o que acontece quando A. Carvin publica, no início de fevereiro de 2012, uma declaração da secretária de Estado Hilary Clinton, sem nenhum acréscimo, colocando apenas no início de cada tweet o sinal recorrente “clinton :”.

 Em outros momentos, entretanto, nessa mesma conta, o jornalista, estando longe dos eventos, produz informação remetendo-se às contas no Twitter de outros usuários que testemunharam situações dramáticas como, por exemplo, a repressão que tem ocorrido na Síria desde agosto de 2011. Nenhuma seção do Twitter ou nenhum tipo de marcação foram atribuídos a esses tweets, de forma que não é possível fazer distinções sobre os diferentes discursos relatados, e que se sucedem rapidamente e sem parar. Apenas a mobilização da ferramenta “hashtag” permite uma distinção na natureza do olhar profissional que é lançado: a escolha do hashtag (o sinal # que marca uma sigla ou palavra) ao final de um tweet permite recriar essa diferenciação.

 O twiter é, portanto, uma ferramenta que propõe posturas profissionais ricas no âmbito das práticas emergentes de informação. É necessário, contudo, um aprendizado, sobretudo no que se refere aos meios que permitem melhor distinguir as modalidades de e-nunciação pelo jornalista que as mobiliza. O uso calculado e prudente de hashtags dis-tintivos faz parte desse aprendizado, necessário para que sejam respeitadas as práticas deontológicas e éticas de explicitação do que se apresenta como comunicação e informação.

Fonte: http://www.midiaepolitica.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=89:quando-utilizar-o-twitter-e-informar-e-comunicar&catid=14:edicao-022012

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